Da redação
Grupos de judeus favoráveis à candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) usaram uma lista com mais de 1.300 nomes para convocar integrantes da comunidade a boicotar judeus que apoiaram o presidente Lula (PT), reeleito para o quarto mandato no dia 25. O título da relação faz referência a Auschwitz, maior complexo nazista de concentração e extermínio.
Marcelo Semiatzh, um dos coordenadores do movimento Judias e Judeus pela Democracia, disse que a lista circulou entre familiares de integrantes do grupo e chegou aos citados. “Estamos esperando que a situação se acalme, mas, se isso não ocorrer, vamos buscar a Justiça”, afirmou. Um dos alvos relatou ter perdido negócios que estavam encaminhados.
A Federação Israelita do Estado de São Paulo (Fisesp) e a Confederação Israelita do Brasil (Conib) condenaram a perseguição. “A comunidade judaica é plural e reúne pessoas de diferentes convicções e preferências eleitorais”, declarou a Fisesp. A Conib afirmou que pedir boicote a quem diverge politicamente “contraria essa tradição fundamental da identidade judaica”.
Antes do segundo turno, o movimento realizou um ato de apoio a Lula na Casa do Povo, no Bom Retiro, com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), de ex-ministras e da assessora presidencial Clara Ant. Em vídeo publicado na quarta-feira (28), a jornalista Nay Ruiz lembrou que judeus progressistas inauguraram o espaço, em 1946, como memorial às vítimas do Holocausto.
A Fisesp também publicou um vídeo contra o uso do termo “kapos” para se referir a outros judeus, lembrando que os prisioneiros designados para manter a disciplina nos campos viviam sob violência e ameaça. Semiatzh disse que episódios semelhantes ocorreram na eleição de 2018 e atribuiu a perseguição a uma informação falsa de que Lula seria antissemita. Citou tensões com Israel, que está sem embaixador no Brasil, e o apoio de Lula à existência de dois Estados. No Líbano e na Palestina, Lula recebeu mais votos; em Israel, venceu Flávio. “O presidente já deu algumas declarações problemáticas, mas afinou o seu discurso e defende a existência de dois estados, o que nós também concordando”, afirmou Semiatzh.




