Da redação
O juiz federal Guilherme Roman Borges, da 13ª Vara Federal de Curitiba, suspendeu as audiências e o julgamento da Operação Mafiusi, previstos para novembro, para aguardar provas e documentos sob responsabilidade de investigadores franceses, solicitados por cooperação jurídica internacional. A Polícia Federal conduz a investigação sobre tráfico internacional de cocaína e lavagem de dinheiro.
Na decisão, Borges apontou que realizar depoimentos e interrogatórios antes da chegada do material “acarretará inevitável renovação dos atos probatórios”. Também mencionou o risco de questionamentos sobre a ordem legal da instrução, prevista no artigo 400 do Código de Processo Penal, e de alegações de nulidade e insegurança jurídica.
A investigação atribui à organização o envio de 6 toneladas de cocaína à Europa, em 20 carregamentos, e a movimentação de R$ 4,8 bilhões. O caso envolve nove investigados na Itália e 11 no Brasil, e contou com cooperação entre a Polícia Federal e autoridades italianas.
A operação começou com apurações sobre tráfico no Porto de Paranaguá (PR), que identificaram uma rede transnacional envolvendo o PCC, a Máfia dos Bálcãs e a ‘Ndrangheta, grupo calabrês. O processo tramita na vara que concentrou ações da Lava Jato e foi impulsionado por delações premiadas, principalmente a de Marco José de Oliveira.
A decisão foi comemorada pelas defesas e determinou a reavaliação individual da necessidade de manter as prisões preventivas, em procedimentos separados. Willian Barile Agati, chamado de “Concierge do PCC” e preso na Penitenciária Federal de Brasília, poderá ser beneficiado, afirmou seu advogado, o criminalista Eduardo Maurício.




