Da redação
O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5), enquanto a Câmara dos Deputados debatia a abertura de um processo de impeachment. A decisão ocorreu em meio à crise financeira desencadeada pela intervenção do Banco Central Paraguaio (BCP) no Ueno Bank. O vice-presidente Pedro Allana assumirá o cargo.
Peña justificou a renúncia em nome da estabilidade do país e da necessidade de “preservar nossas instituições”. O Partido Colorado, ao qual pertence, passou a cobrar sua saída e apoiou a abertura do processo. Peña foi acionista do Grupo Vázquez, controlador do Ueno, até março de 2025.
Em pronunciamento nas redes sociais, Peña declarou: “Tomei a decisão de apresentar a minha renúncia à Presidência da República”. Ele também disse que a República deveria estar acima de qualquer pessoa ou circunstância.
Apesar da renúncia, a Câmara aprovou por unanimidade o processo de impeachment. O Senado decidirá se a tramitação continua ou perde efeito. Ex-presidentes têm cadeira de senador vitalício, com voz, mas sem voto; os cassados perdem o cargo e o foro privilegiado.
Na terça-feira (3), a liquidação do Ueno, com 2,9 milhões de correntistas, cerca de 60% dos adultos, congelou depósitos. O presidente do BCP, Carlos Carvallo, dirigente do Ueno até 2023, renunciou. Protestos cobram punição; o Ministério Público pediu a prisão de oito, entre eles Juan Manuel Gustale, presidente do Ueno. Eleito em 2023, Peña integra o Colorado, no poder há sete décadas, exceto entre 2008 e 2013. A oposição questiona investimentos do Instituto de Seguridade Social (PIS) no banco.




