Da redação
A advogada indígena Maíra Pankararu denunciou ameaças e episódios de violência contra os povos Guarani Kaiowá e Terena em Mato Grosso do Sul, após o segundo turno das eleições presidenciais, em entrevista ao podcast Bom dia, fim do mundo. As denúncias incluem o incêndio de uma casa e ameaças de envenenamento da água.
Na quinta-feira (29), a casa de Roberta, rezadeira Guarani Kaiowá de quase 90 anos, foi incendiada na aldeia Jaguapiré, em Tacuru. Pankararu disse que a idosa sofria perseguição por sua prática espiritual e afirmou: “A motivação do incêndio, a gente ainda está apurando, precisa ser esclarecida”.
Na aldeia Sassoró, em Tacuru, lideranças denunciaram ameaças de envenenar a água dos Guarani Kaiowá. A Polícia Federal identificou dois servidores municipais, que reconheceram a autoria, mas disseram estar embriagados e negaram intenção de envenenar a água. Em 31 de outubro, o governo enviou uma força-tarefa e reforçou a Força Nacional.
Pankararu defendeu a demarcação de terras como medida para ampliar a segurança das comunidades. Os Guarani Kaiowá e os Terena enfrentam há décadas conflitos territoriais, expulsões, assassinatos de lideranças, ameaças e racismo, relacionados à concentração fundiária e à resistência ao reconhecimento de seus direitos territoriais.
Também houve obstáculos ao voto por distância e barreiras linguísticas. No Vale do Javari, indígenas pediram transporte fluvial, negado pela 42ª Zona Eleitoral de Atalaia do Norte. A Resolução 23.751 do Tribunal Superior Eleitoral prevê, desde março, transporte de eleitores indígenas, inclusive por embarcações.



