Da redação
Uma pesquisa encomendada pela Associação Brasileira das Empresas de Benefícios ao Trabalhador (ABBT) aponta que a abertura do arranjo do Programa de Alimentação do Trabalhador (PAT) pode enfraquecer o objetivo dos vales-refeição (VR) e vales-alimentação (VA). Segundo o levantamento realizado pela Mosaiclab, com 718 usuários desses benefícios, a flexibilização do credenciamento de estabelecimentos mais do que dobraria o uso dos vales para fins não alimentares.
Atualmente, 33% dos trabalhadores já dividem o uso dos vales entre alimentação e outras despesas. Com as mudanças, esse percentual subiria para 71%. Do total, 23% afirmam que deixariam de gastar o benefício com alimentação, utilizando-o apenas para outros fins.
O uso exclusivo dos vales para alimentação e refeições cairia de 67% para 29%, segundo o estudo. Entre os novos destinos dos benefícios aparecem compras pessoais (50%), venda a terceiros (30%), aquisição de bebidas alcoólicas e cigarros (13%), serviços de streaming (12%) e jogos ou apostas online (7%).
A divulgação da pesquisa coincide com a entrada em vigor das novas regras do PAT, regulamentadas por decreto ao final de 2025. O governo defende a mudança como forma de ampliar concorrência, reduzir custos e libertar o uso dos trabalhadores, mas entidades do setor veem risco à finalidade do programa. “Quando menos da metade utiliza o vale exclusivamente para alimentação, há um desvio estrutural que descaracteriza o PAT”, avaliou Lucio Capelletto, presidente da ABBT.
Com a implementação do novo modelo, cresceu a disputa entre operadoras de benefícios, empresas de tecnologia de pagamentos e varejistas. Nos últimos dias, operadoras tradicionais conseguiram liminares judiciais para suspender partes das novas regras referentes à abertura do arranjo e ampliação do credenciamento.






