Da redação
O açaí, símbolo da Amazônia e cada vez mais presente no consumo nacional, foi oficialmente reconhecido como fruto nacional em 2026, a partir da Lei nº 15.330, publicada no Diário Oficial da União em 8 de janeiro. O novo marco legal reforça a soberania brasileira sobre o açaí, protege contra a biopirataria internacional e assegura a preservação das tradições das comunidades amazônicas. A legislação também consolida o açaí como patrimônio nacional, coibindo tentativas estrangeiras de apropriação indevida, como o episódio de 2003, quando uma empresa japonesa tentou patentear o fruto — registro revertido em 2007 após intervenção do governo brasileiro.
Tradicional da floresta amazônica, o açaí vem ampliando suas fronteiras, ganhando espaço no Cerrado, especialmente no Distrito Federal, onde produtores enfrentam o desafio de adaptar a planta ao solo seco. Um exemplo é Aida Kanako Ashiuchi Cardoso, 70 anos, que cultiva há 13 anos mais de quatro hectares do fruto na localidade de Fercal. Segundo ela, o início do plantio se deu por interesses familiares e se transformou em um projeto produtivo, que hoje depende de técnicas específicas de irrigação e adubação frequente para sobreviver à seca da região.
Dados da Emater-DF apontam que, em 2024, o açaí era cultivado em 38 hectares no Distrito Federal, por 47 produtores, sendo apenas três em fase comercial, com produção estimada em 30,510 toneladas e Valor Bruto da Produção de R$ 118.989. A expansão recente é resultado do Programa Rota das Frutas DF e RIDE, que incentiva o plantio e oferece suporte aos agricultores. De acordo com Wanderlei Lima, pesquisador da Embrapa, pesquisas buscam adaptar o açaí ao clima do Cerrado, especialmente para manejo hídrico e desenvolvimento de cultivares mais resistentes.
Nos restaurantes do Distrito Federal, cresce a procura pelo açaí no preparo tradicional, semelhante ao servido no Pará. Wady Dahás, do Du Pará, destaca a importância de manter costumes autênticos, oferecendo o fruto sem açúcar, acompanhado de farinha, peixe ou camarão. Para João Paulo Caixeta, do Parai Terra do Açaí, o consumo do tradicional ainda causa estranhamento, mas desperta interesse e aproxima o público da cultura amazônica.
Além do consumo puro, o açaí se diversifica em receitas compartilhadas nas redes sociais, como brigadeiro, bolo, filé de frango com molho de açaí e risoto, mostrando a versatilidade do fruto nos lares brasileiros.





