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Acordo com UE pode começar antes do aval do Parlamento Europeu, diz comissão


Da redação

O acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul, aprovado pelos governos do bloco europeu na sexta-feira (9), pode ser aplicado antes da aprovação pelo Parlamento Europeu, afirmou o porta-voz da Comissão Europeia, Olof Gill, nesta segunda-feira (12). Segundo Gill, “o tratado permite essa possibilidade” e a Comissão da UE está empenhada para garantir o apoio da maioria dos parlamentares.

Na última votação do conselho europeu, cinco dos 27 países-membros da UE – França, Polônia, Hungria, Irlanda e Áustria – se posicionaram contra o acordo, enquanto a Bélgica se absteve. Já a Itália, como esperado, apoiou o pacto juntamente com a maioria. A previsão é que o Parlamento Europeu avalie novamente o texto em março, após ajustes realizados para atender exigências da Itália. Os países da UE e do Mercosul preveem a assinatura oficial do acordo em 17 de janeiro, em Assunção.

Segundo estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) realizado no início de 2024, o acordo pode elevar o PIB brasileiro em até 0,46% até 2040, o que representa um acréscimo de US$ 9,3 bilhões. O levantamento indica ainda que o Brasil teria um ganho proporcional maior que a União Europeia, que prevê alta de 0,06% no PIB, e os demais países do Mercosul, com crescimento de 0,2%.

Enquanto isso, agricultores franceses intensificaram protestos nesta segunda-feira (12) contra o tratado, alegando concorrência desleal. Segundo Justin Lemaitre, secretário-geral de um sindicato local, “o objetivo principal é soar o alarme novamente e manter a pressão sobre o acordo do Mercosul”. Manifestantes bloquearam caminhões no principal porto de contêineres da França e em estradas próximas a Paris, realizando inspeções simbólicas de alimentos importados.

Também houve bloqueios em depósitos de combustível no porto de La Rochelle e na região dos Alpes, além de um porto de cereais em Bayonne, no sudoeste da França. Essas ações foram confirmadas por sindicatos agrícolas e pela imprensa francesa.