Por Alex Blau Blau
Dois processos de grande repercussão serão analisados nesta terça feira e envolvem crimes que tiveram trabalhadores do transporte por aplicativo como vítimas
O Tribunal do Júri do Distrito Federal julga nesta terça feira dois casos que ganharam ampla repercussão pela violência empregada contra motoristas de aplicativo. Embora tenham ocorrido em circunstâncias distintas, os processos chamam atenção por colocarem no banco dos réus acusados de homicídios que vitimaram profissionais da mesma atividade.
Um dos julgamentos envolve Antônio Ailton da Silva, de 43 anos, acusado de assassinar a motorista Ana Rosa Rodolfo de Queiroz Brandão, de 49 anos. O crime ocorreu em fevereiro de 2025, na região do Cruzeiro Velho.
De acordo com a investigação, a vítima foi atacada durante uma corrida acertada diretamente entre as partes. A apuração aponta que, após uma discussão relacionada ao pagamento da viagem, o acusado teria estrangulado a motorista utilizando um fio de nylon e, em seguida, desferido diversos golpes de faca.
Ainda conforme a investigação, antes desse homicídio o acusado já teria tentado matar a ex companheira e uma amiga dela em outra região administrativa do Distrito Federal. Após o assassinato da motorista, ele assumiu a direção do veículo, mas perdeu o controle e colidiu contra uma árvore. Em seguida, fugiu a pé e acabou localizado e preso por equipes da Polícia Militar após perseguição.
O segundo julgamento é o de André Luiz Rodrigues de Magalhães, acusado pela morte do motorista de aplicativo Lucas Henrique do Prado Ribeiro, de 35 anos. O caso aconteceu em março de 2025, dentro de uma oficina mecânica no Guará.
Segundo a denúncia, uma discussão iniciada após uma colisão entre veículos terminou com um disparo de arma de fogo contra Lucas. A vítima permaneceu internada por treze dias, mas não resistiu aos ferimentos.
A defesa sustenta que o acusado teria agido em legítima defesa ao acreditar que ocorria uma tentativa de assalto. Já familiares da vítima contestam essa versão e afirmam que Lucas estava apenas no local para realizar o conserto de seu veículo, utilizado no trabalho diário como motorista de aplicativo.
Testemunhas ouvidas durante a investigação relataram ter presenciado a discussão entre os envolvidos, mas afirmaram não ter ouvido qualquer anúncio de assalto durante o conflito.
Os dois julgamentos ocorrem nesta terça feira e caberá ao Conselho de Sentença decidir sobre a responsabilidade criminal dos acusados com base nas provas apresentadas durante o Tribunal do Júri.




