Da redação
A agência de notícias Tasnim, ligada ao governo iraniano, publicou nesta semana um artigo sugerindo que o Irã passe a cobrar taxas pelo uso dos cabos submarinos de fibra ótica que cruzam o estreito de Hormuz. A proposta surge em um momento de aumento de tensões na região, em meio ao conflito envolvendo Estados Unidos e Israel.
Atualmente, ao menos sete grandes cabos submarinos conectam países do Golfo, Europa e Ásia através do estreito de Hormuz, rota estratégica para comunicações globais e transmissão de dados financeiros. Segundo o artigo, o país estaria buscando compensação pela utilização desse corredor marítimo, até agora considerado de livre navegação internacional.
Cobranças ou eventuais interrupções nessa infraestrutura poderiam impactar diretamente setores essenciais, como a internet e o sistema financeiro global, especialmente o Swift. Analistas destacam que tal medida traria consequências à administração do presidente Donald Trump, que enfrenta dificuldades para resolver a crise, temporariamente suspensa por um cessar-fogo regional.
Empresas americanas de tecnologia, como Amazon e OpenAI, vêm realizando elevados investimentos em data centers em países do Golfo. Problemas no trânsito dos cabos submarinos poderiam afetar significativamente esses empreendimentos, com possível prejuízo para operações estratégicas de tecnologia e computação em nuvem.
De acordo com a Tasnim, a República Islâmica deveria adotar três medidas principais: cobrar licenças e taxas anuais de empresas estrangeiras que utilizam os cabos, obrigar grandes companhias tecnológicas a seguir as leis iranianas e transferir o controle exclusivo da manutenção dos cabos para grupos locais. A agência defende que Hormuz se tornaria um “centro estratégico para criação legítima de riqueza”.
A Fars, outra agência próxima à Guarda Revolucionária, defendeu propostas semelhantes nas redes sociais. Segundo ela, a interrupção do fluxo de informações dos cabos por alguns dias poderia causar centenas de milhões de dólares em perdas à economia mundial. Ambas as agências argumentam que o Irã exerce soberania legal sobre o trecho em questão.






