Início Política Ajuste fiscal e controle da dívida serão principais desafios do próximo presidente

Ajuste fiscal e controle da dívida serão principais desafios do próximo presidente


Da redação

O próximo presidente da República terá como principal desafio econômico a realização de um ajuste fiscal capaz de desacelerar o crescimento da dívida pública em relação ao Produto Interno Bruto (PIB). Segundo projeções do governo federal no Projeto de Lei Orçamentária Anual, a dívida, que em 2022 correspondia a 71,7% do PIB, deve subir para 83,7% no último ano da atual gestão e atingir 89,7% em 2030.

A alta do endividamento, conforme os economistas ouvidos, aumenta o risco de inadimplência nos títulos públicos e pode afastar investidores, além de dificultar o custeio das despesas com pessoal, Previdência e investimentos. Jeferson Bittencourt, ex-secretário do Tesouro Nacional, alertou que o próximo governo enfrentará pressões de curto e longo prazo, especialmente com fim de subsídios aos combustíveis, alta de impostos sobre consumo e desancoragem das expectativas inflacionárias.

Bittencourt afirmou que medidas estruturais, como desvinculação e desindexação de despesas, maior rigor no acesso a benefícios previdenciários e racionalização de incentivos fiscais, serão fundamentais para restaurar a credibilidade fiscal. Ele estima que o ajuste necessário envolve uma transição de déficits de 0,5% do PIB para superávits anuais de 1,5%.

Elena Landau, ex-diretora do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, acrescenta que combate ao crime e à insegurança jurídica precisam integrar a agenda econômica. Landau defende a revisão de benefícios tributários, como os concedidos à Zona Franca de Manaus, a reorganização das políticas sociais e instrumentos para que beneficiários ascendam sem depender de programas oficiais.