Da redação
Davi Alcolumbre consolidou-se como figura central no Senado após a derrota da indicação de Jorge Messias ao Supremo Tribunal Federal. O episódio, ocorrido recentemente em Brasília, fortaleceu o senador do Amapá, segundo parlamentares, e pode impactar de forma duradoura o equilíbrio de forças na República.
Alcolumbre, que já surpreendeu ao derrotar Renan Calheiros e assumir a presidência do Senado em 2019, vinha sendo considerado um político discreto. Desde então, no entanto, ampliou sua influência e passou a fazer parte do núcleo central do Congresso Nacional, acumulando capital político nos bastidores.
Sua trajetória é marcada pela flexibilidade nas alianças. Ao longo dos últimos anos, construiu pontes tanto com Jair Bolsonaro quanto com o atual governo Lula. Contudo, a indicação não acatada de Messias para o STF tensionou a relação com o Planalto, levando Alcolumbre a bancar Rodrigo Pacheco e mostrar força dentro da Casa.
O fortalecimento do Congresso frente ao Executivo, desde a aprovação do orçamento impositivo e o aumento nas emendas parlamentares, também contribuiu para o aumento do poder de Alcolumbre. O Senado, em especial, tornou-se mais autônomo e tem gerado desafios à articulação política do presidente Lula.
De acordo com interlocutores, Alcolumbre ganhou apoio entre bolsonaristas ao atuar na derrubada do veto presidencial ao projeto da dosimetria, distanciando-se do governo. A aproximação com a oposição é vista como estratégica, especialmente com a perspectiva de crescimento da direita no Senado a partir do próximo ano.
A movimentação política ocorre em um momento decisivo: a eleição para a presidência do Senado está prevista para fevereiro de 2027. Na avaliação de senadores do PL e Republicanos, Alcolumbre passou a sinalizar que pode, inclusive, pautar processos de impeachment de ministros do STF, caso assuma novamente o comando da Casa.






