Por Alex Blau Blau
Presidente do Senado autorizou participação remota do parlamentar em votação e busca aproximação com integrantes do PL antes da eleição para o comando da Casa
O presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), teria sinalizado a aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro que não pretende dar andamento aos pedidos de cassação do mandato do senador Flávio Bolsonaro (PL), após sua saída do Brasil com destino aos Estados Unidos.
Segundo relatos atribuídos a integrantes do grupo bolsonarista, a posição de Alcolumbre faz parte de uma tentativa de aproximação com parlamentares do Partido Liberal, em meio às articulações para a eleição da presidência do Senado, marcada para 1º de fevereiro de 2027.
A movimentação ocorre depois que Flávio Bolsonaro deixou o país, após a derrota na disputa presidencial de outubro. Parlamentares ligados ao PT passaram a defender medidas relacionadas à permanência do senador no mandato.
Autorização para votação a distância
Na terça-feira (3), Alcolumbre autorizou, em caráter excepcional, que Flávio participasse remotamente da votação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública.
O senador não havia concluído a autenticação de seu novo número de telefone, procedimento normalmente exigido para liberar o acesso ao sistema de votação a distância.
De acordo com as informações divulgadas, lideranças do PL procuraram o presidente do Senado para solicitar uma solução. Alcolumbre teria autorizado a equipe técnica da Casa a viabilizar a participação do parlamentar.
Com a liberação, Flávio poderá participar das sessões semipresenciais até o encerramento de seu mandato, previsto para janeiro de 2027, observadas as regras de funcionamento do Senado.
Disputa pelo comando do Senado
As decisões são interpretadas por interlocutores políticos como gestos de Alcolumbre em direção à bancada bolsonarista, considerada importante nas negociações para a próxima eleição da Mesa Diretora.
Entretanto, integrantes do PL afirmam que a aproximação não significa apoio à recondução do atual presidente.
A legenda pretende lançar o senador Rogério Marinho (PL-RJ) na disputa pelo comando da Casa, estabelecendo uma concorrência direta com Alcolumbre.
Apesar dos relatos sobre a intenção de preservar o mandato de Flávio Bolsonaro, não foi apresentada uma decisão formal do Senado que determine o arquivamento de eventuais pedidos de cassação.
O cenário evidencia as negociações entre diferentes grupos políticos para a composição da próxima direção do Senado, em um momento de reorganização das forças partidárias após as eleições de 2026.




