Da redação
A embaixadora portuguesa Ana Martinho tornou-se uma das primeiras mulheres a ingressar na diplomacia em Portugal após 1974, quando a carreira foi aberta ao público feminino durante o I Governo Provisório, em Lisboa. A mudança ocorreu após a Revolução de Abril, que eliminou a exigência legal de exclusividade masculina no serviço diplomático.
Antes da Revolução, Ana Martinho atuava como advogada, pois a lei restringia a diplomacia aos homens. A diplomata relata que decidiu tentar a nova carreira ao perceber que “é uma porta que se abre”. Em agosto de 1975, ingressou em um dos primeiros grupos de jovens adidos, integrando uma geração pioneira que incluía mulheres no Ministério dos Negócios Estrangeiros.
Ana Martinho conta que a integração das mulheres foi tranquila e sem resistência interna. “Fomos muito bem recebidas, eu fui muito bem recebida, acho que não houve qualquer resistência nesse sentido.” Segundo ela, a presença feminina trouxe mudanças na prática profissional. “As diferenças põem-se realmente na maneira como as mulheres fazem as coisas”, observa.
Com o passar das décadas, a evolução tornou-se evidente: hoje, as quatro diretoras-gerais do Ministério dos Negócios Estrangeiros são mulheres. Ao longo de sua trajetória, Ana Martinho exerceu funções bilaterais e multilaterais em cidades como Nova Iorque, Bruxelas, Viena, Praga e Paris, além de atuar em organismos internacionais como OCDE, OSCE, Unesco e Nações Unidas.
Em Lisboa, conquistou o posto de primeira e única secretária-geral do Ministério dos Negócios Estrangeiros, chegando ao topo da administração pública diplomática portuguesa. Na missão junto à ONU, Ana Martinho reforça sua crença no multilateralismo, considerando a Carta das Nações Unidas “sagrada” e avaliando que, apesar do momento de polarização, esforços positivos podem superar divisões.
Sobre o papel de Portugal nos fóruns internacionais, Ana Martinho destaca que o país se diferencia pelo diálogo e pela ausência de agendas de poder, permitindo-lhe atuar como “mediador e construtor de pontes”. Para as jovens que desejam seguir carreira diplomática, aconselha: “Entrem e façam o melhor que sabem e sejam vocês próprias”.





