Da redação
A ativista e escritora Angela Davis participou de uma mesa no Sesc Caborê, em Paraty, pela primeira vez na cidade e décima no Brasil. O evento reuniu cerca de 700 pessoas em uma estrutura especialmente montada, sem o escritor nigeriano Wole Soyinka, que foi hospitalizado.
Durante a mesa “América e África, Uma Conversa Atlântica”, mediada pela jornalista Flávia Oliveira, Davis lamentou a ausência de Soyinka e abordou temas como o papel da literatura, democracia e lutas sociais. Segundo ela, “mesmo em um festival literário, o foco não deveria ser apenas a literatura, mas também o papel que ela desempenha ao ampliar a consciência das pessoas e servir de inspiração para o engajamento nas lutas”.
Davis criticou “empreendedores e incorporadoras”, afirmando que eles expulsam moradores de terras ancestrais e envenenam o solo da região. Ao falar de política, disse que a extrema direita está em ascensão nos Estados Unidos, Europa e América Latina, mas não representa o povo. Referiu-se à família Bolsonaro sem citar nomes diretamente, por considerar que “dar um nome é conferir força”, de acordo com uma tradição africana.
O evento contou ainda com as presenças de personalidades como Conceição Evaristo, Ana Maria Gonçalves e Erica Malunguinho. Davis relatou sua experiência ao descobrir a revolução Argelina em Paris e afirmou que a solidariedade internacional foi fundamental em sua conscientização política. O público formou filas horas antes da mesa para garantir lugar, e Davis autografou livros ao fim do encontro.





