Início Mundo António Guterres encerra mandato na ONU com legado debatido e sucessão indefinida

António Guterres encerra mandato na ONU com legado debatido e sucessão indefinida


Da redação

António Guterres, ex-primeiro-ministro de Portugal e secretário-geral das Nações Unidas nos últimos dez anos, conduz sua última Assembleia-Geral enquanto enfrenta críticas e elogios sobre o período à frente da ONU, em Nova York. Segundo diplomatas, ele foi acusado de abdicar do papel de mediador em meio a sucessivas crises internacionais, como as guerras na Ucrânia e em Gaza, e de lidar com crescentes desafios orçamentários na organização.

De acordo com observadores como Richard Gowan, diretor de assuntos globais da Crisis Group, “talvez o maior legado de Guterres seja o fato de a ONU continuar em funcionamento”, apesar da necessidade de cortes em operações humanitárias e de manutenção da paz. Gowan afirma que em países como Sudão do Sul, Ucrânia e Haiti, houve significativa redução de assistência. Guterres também foi alvo de tensões diretas, como a proibição de entrada em Israel após ser declarado persona non grata.

Guterres rebate as críticas apontando iniciativas como a coordenação do acordo de grãos no mar Negro, que permitiu à Ucrânia exportar produtos agrícolas em meio ao conflito com a Rússia. Entre suas prioridades estiveram a promoção da ação climática e o estímulo ao debate sobre inteligência artificial. Maria Luiza Viotti, ex-chefe de gabinete e atualmente embaixadora brasileira em Washington, afirma que o secretário-geral buscou avanços no diálogo diplomático mesmo diante da paralisia no Conselho de Segurança.

Primeiro lusófono a liderar a ONU, Guterres promoveu reformas internas, como a iniciativa ONU80, destinada a reorganizar estruturas e fortalecer o multilateralismo. Não há definição sobre seu futuro após o mandato, ou sobre a eleição de seu sucessor, embora haja expectativa de escolha de uma mulher para o cargo. O processo depende do consenso dos cinco membros permanentes do Conselho de Segurança.