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Anvisa confirma bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da Ypê suspensos

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Da redação

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) confirmou, na quarta-feira, 14, a presença da bactéria Pseudomonas aeruginosa em produtos da Ypê cuja fabricação, comercialização e uso foram suspensos na semana passada. A decisão ocorreu após reunião da diretoria colegiada do órgão para discutir irregularidades identificadas.

A Pseudomonas aeruginosa já havia sido detectada em produtos da marca em novembro do ano passado, quando a empresa recebeu autuação da Anvisa. Conforme apurado, inspeção conjunta com o Centro de Vigilância Sanitária paulista e a Vigilância Sanitária Municipal de Amparo identificou 76 irregularidades no processo produtivo da Química Amparo, responsável pelos itens Ypê.

Especialistas explicam que a bactéria vive em água, solo e superfícies úmidas, sendo considerada pouco agressiva para a maioria das pessoas. Entretanto, segundo o médico Luís Fernando Correia, ela representa risco elevado para pacientes imunossuprimidos, recém-nascidos, idosos frágeis, pessoas com cateter, entre outros grupos vulneráveis.

De acordo com Alberto Chebabo, infectologista dos laboratórios Sergio Franco, da Dasa, a presença do microrganismo em produtos de limpeza aumenta as chances de contaminação e, eventualmente, pode causar infecções em pessoas suscetíveis. Chebabo destaca que, em indivíduos saudáveis, o risco é considerado baixo, exceto em caso de lesões na pele que facilitem a penetração da bactéria.

Cristiane Rodrigues Guzzo, do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, ressalta que a contaminação pode afetar a eficácia dos produtos de limpeza e contaminar outros objetos e superfícies. Ela também explica que a Pseudomonas aeruginosa é uma das poucas bactérias capazes de sobreviver e proliferar nesses produtos, com transmissão possível via contato com água ou produtos infectados.

A Anvisa determinou, em 7 de maio, o recolhimento e a suspensão dos produtos devido a falhas no controle de qualidade, incluindo a identificação da bactéria em mais de 100 lotes. No dia 8, a Ypê apresentou recurso à agência e conseguiu suspender temporariamente a proibição. A Anvisa adiou a votação do recurso, marcada para nova avaliação nesta quinta-feira.