Da redação
Após a prisão de três técnicos de enfermagem, pelo menos seis famílias procuraram a Polícia Civil do Distrito Federal para relatar mortes suspeitas no Hospital Anchieta, em Taguatinga (DF). Os profissionais são investigados pelos óbitos de Marcos Raymundo Fernandes Moreira, 33 anos, João Clemente Pereira, 63, e Miranilde Pereira da Silva, 75, todos internados na UTI da unidade entre 17 de novembro e 1º de dezembro de 2023.
Segundo a polícia, os pacientes teriam morrido após a aplicação irregular de medicamentos e até de desinfetante na veia, fora dos protocolos médicos. Quando aplicado de forma indevida, o medicamento pode causar parada cardíaca em poucos segundos. Os investigadores suspeitam que possa haver mais mortes ligadas ao grupo, tanto no mesmo hospital quanto em outras instituições onde atuaram.
O Hospital Anchieta afirmou, em nota, que colabora integralmente com as autoridades e que reconheceu as “circunstâncias atípicas”, denunciando o caso à polícia após investigação interna em menos de 20 dias. A instituição diz ter entregue toda a documentação necessária e requerido a abertura de inquérito e medidas cautelares.
De acordo com o delegado Maurício Iacozzilli, a principal linha investigativa aponta Marcos Vinícius Silva Barbosa de Araújo, 24 anos, como suposto psicopata, cometendo os crimes por prazer. As técnicas de enfermagem Marcela Camilly Alves da Silva e Amanda Rodrigues de Sousa também foram presas por suspeita de participação, seja acompanhando ou dando cobertura durante a aplicação dos medicamentos.
A polícia aguarda os laudos periciais de celulares e computadores apreendidos, que devem ser concluídos em até 20 dias, para tentar esclarecer a motivação dos crimes. As defesas dos envolvidos ainda não se pronunciaram. Para o delegado, as versões do principal suspeito não se sustentam diante das provas coletadas.





