Início Política Apoio de Mendonça dificulta aprovação de Messias ao STF após caso Master

Apoio de Mendonça dificulta aprovação de Messias ao STF após caso Master


Da redação

Jorge Messias, advogado-geral da União, teve sua indicação ao Supremo Tribunal Federal rejeitada pelo Senado na última quarta-feira (29), em Brasília. Dos 81 senadores, 42 votaram contra e 34 a favor. A rejeição ocorre em meio à avaliação de que o apoio do ministro André Mendonça, do STF, teria prejudicado Messias.

Segundo integrantes do Senado e do governo, Mendonça, relator do caso Banco Master no Supremo, teria sua ligação com Messias vista como intensificadora das investigações. O Banco Master está sendo investigado por aportes da Amprev, presidida por Jocildo Silva Lemos, nomeado por Davi Alcolumbre, atual presidente do Senado.

A avaliação entre parlamentares é que Messias demonstrou disposição em apoiar Mendonça na corte, o que teria intimidado parte dos senadores e ministros, especialmente diante de investigações que envolvem figuras relevantes do Congresso e do Judiciário. Uma fonte ligada ao presidente Lula afirmou que Messias foi alvo de uma articulação suprapartidária desejosa de blindagem no caso Master.

Colaboradores do governo acreditam que, caso Messias chegasse ao Supremo, a correlação de forças na corte sofreria alterações. Aliados de Lula destacam que Messias contrariou indicações de Alexandre de Moraes, Flávio Dino e Gilmar Mendes para tribunais regionais e superiores, aumentando resistências institucionais contra seu nome.

Durante a sabatina, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) afirmou que “há ministros hoje na suprema corte, ministro Jorge Messias, que trabalham contra a indicação de vossa excelência abertamente, que cabalam votos aqui no Salão Azul contra a indicação de vossa excelência”. A atuação de Mendonça também repercutiu junto ao presidente do Senado, que já havia confrontado o ministro em 2021.

A recusa a Messias mostrou que nem o apoio de Mendonça, considerado próximo do grupo evangélico, garantiu votos de senadores ligados à bancada religiosa. Conforme o presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), “parece que os bispos que estiveram no Senado, apesar dos esforços, não conseguiram convencer os senadores evangélicos”.