Da redação
A Polícia Militar de São Paulo instaurou 928 procedimentos administrativos disciplinares para apurar indícios de uso inadequado das câmeras operacionais portáteis (COPs) por seus agentes, segundo relatório da Secretaria da Segurança Pública. O total, referente ao primeiro semestre de 2026, representa um aumento de 208% em relação ao semestre anterior, quando foram abertos 301 processos.
De acordo com a SSP, o crescimento de procedimentos acompanha a expansão do número de câmeras corporais em operação, que passou de 11.900 em dezembro para 15.000 em maio e junho, elevação de 26%. O documento ressalta que somente em junho foram gerados mais de um milhão de vídeos, e que parte das apurações recentes continua em andamento. A pasta reforçou que a abertura de processo administrativo não significa, necessariamente, que houve infração, pois eventuais punições só são definidas após o contraditório.
O relatório detalha que, das apurações realizadas entre janeiro e junho de 2026, 175 foram concluídas, resultando em 107 penalidades: 81 repreensões, 25 permanências disciplinares e uma advertência. Entre os problemas identificados, 7,6% referem-se a suposta obstrução da câmera, enquanto 29,67% dizem respeito ao descumprimento de normas e 62,52% à categorização incorreta das ocorrências. Porém, não há detalhamento sobre as infrações específicas constatadas.
O documento foi elaborado para cumprir acordo firmado com o Supremo Tribunal Federal, no qual o estado se comprometeu a implementar mecanismos de auditoria e controle do uso das câmeras. A troca de modelo do equipamento no ano passado introduziu a necessidade de acionamento manual pelo policial, o que, conforme coronel reformado José Vicente da Silva Filho, pode comprometer a gravação de incidentes críticos.



