Da redação
O ex-coronel Ephraín Enrique Verdú Torrelles, que atuou no comando da Guarda Nacional Bolivariana da Venezuela, teve a extradição solicitada por um tribunal federal argentino. O pedido foi feito após investigação da Missão Internacional Independente de Apuração dos Fatos sobre a Venezuela em casos de abusos durante os protestos de 2014.
Segundo a missão, essa é a primeira solicitação de extradição resultante de apuração relacionada a crimes contra a humanidade ocorridos durante manifestações contra o presidente Nicolás Maduro. O ex-coronel está detido na Espanha e responde a acusações de abuso e homicídio.
O processo segue o princípio de jurisdição universal, permitindo que tribunais estrangeiros investiguem e julguem crimes internacionais praticados fora de seu território. Relatórios da missão documentam violações de direitos humanos e crimes contra a humanidade desde 2014, início das manifestações provocadas pela escassez de alimentos, inflação e criminalidade elevada.
O movimento, com participação significativa de estudantes e líderes da oposição, ganhou expressiva dimensão na história contemporânea venezuelana. As investigações indicam que a resposta estatal foi sistemática, ultrapassando casos isolados de uso indevido da força policial e caracterizando um plano de repressão.
Entre as táticas atribuídas ao governo estão o uso desproporcional da força, coordenação com grupos civis armados, prisões em massa e tortura. De acordo com os fatos apurados, foram utilizados munição real contra manifestantes desarmados, resultando em mortes, e houve relatos de tortura, inclusive sexual, a centenas de detidos.
A missão concluiu que essas práticas compõem um sistema institucionalizado de repressão, elaborado pelos mais altos escalões do governo. Segundo as investigações, a repressão era articulada com participação do Poder Executivo, setores do Judiciário, agências de inteligência e da Guarda Nacional Bolivariana.





