Da redação
A Articulação de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB) lançou em Brasília o Manifesto Político das Mulheres Negras do Brasil: O Pacto do Bem Viver e as Eleições 2026. O documento propõe um sistema político que priorize justiça, equidade, solidariedade e vida digna na formulação e implementação de políticas públicas.
O manifesto defende que mulheres pretas e pardas ocupem, de 2027 em diante, posições centrais no processo político, como eleitoras, lideranças em territórios, candidatas e integrantes de espaços de poder. Segundo o texto, a presença dessas mulheres em casas legislativas e no Executivo é prioritária, considerando sua capacidade de gestão e imaginação.
A coordenadora nacional da Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB), Jolúzia Batista, afirmou que a luta do manifesto é “por igualdade, justiça e reparação”, buscando corrigir desigualdades estruturais resultantes de mais de três séculos de escravidão. Durante o evento, participantes criticaram o racismo e o sexismo nas escolhas eleitorais, a desvalorização das mulheres pelos partidos políticos e o baixo repasse de recursos do Fundo Partidário e do Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC). A hashtag #EuVotoEmNegra foi divulgada como ação de incentivo à representatividade.
Segundo o Tribunal Superior Eleitoral (TSE), nas Eleições Gerais de 2026, das 20.560 candidaturas, 1.234 são de mulheres pretas (6%) e 2.485 de mulheres pardas (12,2%). Esses dados contrastam com o levantamento do IBGE de 2021, que aponta 28,2% da população brasileira, cerca de 58 milhões de pessoas, como mulheres negras.
Também participaram do lançamento a promotora de Justiça Nádia Estela Ferreira Mateus, que citou a baixa presença de mulheres negras no Ministério Público Federal — apenas 0,7% entre 13 mil membros. Lideranças mencionaram ainda a existência de “guerra híbrida” para desconstruir direitos sociais e ataques ao discurso de ódio, a serviços públicos e servidores, além da presença de milícias, narcotráfico e civis armados em áreas vulneráveis.



