Por Alex Blau Blau
Depoimentos de testemunhas revelam que agressor levou duas facas para a empresa, perseguiu uma das vítimas e repetia frases de intimidação durante o ataque
Novos detalhes da investigação sobre o ataque que deixou três trabalhadores mortos dentro da fábrica da Bombril, em São Bernardo do Campo, indicam que o crime foi planejado e executado com extrema violência. Depoimentos colhidos pela Polícia Civil apontam que o operador de empilhadeira Claudio Henrique da Silva, de 33 anos, entrou na empresa levando dois canivetes e repetia frases de ameaça enquanto golpeava uma das vítimas.
Segundo testemunhas, durante o ataque contra Douglas de Souza Vieira, de 39 anos, o agressor dizia repetidamente: “Vai mexer com quem está quieto” e também questionava: “Vai tirar brincadeira comigo?”. As declarações foram registradas nos depoimentos prestados à polícia por funcionários que presenciaram parte da ação.
As investigações apontam que Claudio chegou à empresa já armado com dois canivetes, um de cor preta e outro verde, ambos apreendidos pela polícia. Ainda não foi possível determinar em que momento cada uma das armas foi utilizada durante o ataque.
O crime aconteceu pouco antes do início do expediente. Douglas foi surpreendido pelo agressor e, ao perceber que havia sido esfaqueado, tentou fugir descendo uma escada. No entanto, caiu antes de conseguir alcançar um local seguro. Conforme relatos das testemunhas, Claudio o alcançou e continuou desferindo golpes mesmo com a vítima caída no chão. Um dos depoimentos também afirma que o agressor ainda desferiu chutes contra a cabeça de Douglas.
Durante a tentativa de interromper a violência, o supervisor Edvaldo Santos da Silva, de 44 anos, arremessou uma cadeira contra o autor e ordenou que ele parasse. A reação, porém, terminou de forma trágica. Edvaldo foi atingido por golpes de faca na região do tórax e morreu no local.
A terceira vítima, José Guilherme Victoriano de Moura, de 54 anos, também foi assassinada durante o ataque. Seu corpo foi encontrado nas proximidades de um banheiro da unidade industrial.
Após matar os três colegas, Claudio permaneceu sentado segurando uma das facas. De acordo com testemunhas, ele se recusou a entregar a arma aos funcionários e afirmou que faria isso apenas quando a Polícia Militar chegasse ao local. Ao ser abordado pelos policiais, lançou o canivete ao chão e se rendeu sem oferecer resistência.
Levado ao 2º Distrito Policial de São Bernardo do Campo, o suspeito morreu após tirar a própria vida na carceragem.
A Polícia Civil continua investigando a motivação do crime. Uma das linhas de apuração considera a hipótese de que Claudio fosse alvo de provocações no ambiente de trabalho, informação que ainda depende da análise de depoimentos e demais provas reunidas durante o inquérito.
Em nota, a Bombril lamentou o episódio, informou que o autor era funcionário terceirizado e declarou que está colaborando com as investigações. A empresa terceirizada responsável pelos trabalhadores também manifestou solidariedade às famílias das vítimas e afirmou que acompanha a apuração conduzida pelas autoridades.





