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Ataques com drones no Sudão matam civis e agravam crise humanitária


Da redação

O Escritório das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (Ocha) alertou para o impacto devastador do uso crescente de drones armados no Sudão, que tem destruído infraestruturas civis essenciais e dificultado o acesso da ajuda humanitária à população necessitada. A agência informou que a violência persiste e força milhares de pessoas a abandonar suas casas.

Segundo autoridades locais, confrontos recentes próximos à cidade de El Obeid, capital do estado de Cordofão do Norte, deixaram pelo menos 12 civis mortos e vários feridos. A Organização Internacional para as Migrações (OIM) registrou mais de quatro mil deslocados na região entre 14 e 15 de agosto, além da suspensão de esforços humanitários contra um surto de cólera. No estado do Nilo Azul, novos combates em Geisan, Kurmuk e arredores levaram ao deslocamento de cerca de 5,4 mil pessoas nos últimos dias, de acordo com a OIM.

A Ocha destacou que o Sudão enfrenta atualmente a maior crise global de deslocamento interno, com mais de nove milhões de pessoas em fuga no país. Entre janeiro e junho deste ano, ataques com drones provocaram cerca de 80% das vítimas civis, totalizando aproximadamente dois mil mortos. A crise humanitária e de proteção, agravada desde abril de 2023, afeta principalmente as regiões de Darfur e Cordofão, onde a insegurança alimentar e os surtos de doenças aumentam os riscos.

Além disso, o Ocha ressalta que mulheres e meninas estão especialmente expostas à violência sexual e baseada em gênero ligada ao conflito. Embora o Programa Alimentar Mundial tenha apoiado cerca de 2,3 milhões de pessoas no último mês apenas no Darfur, restrições de acesso e cortes de financiamento dificultam o atendimento. A agência pede recursos adicionais e proteção para civis e infraestruturas, a fim de garantir a continuidade da ajuda humanitária.