Da redação
O ativista brasileiro Thiago Ávila chegou ao aeroporto de Guarulhos nesta segunda-feira, 11 de junho, após ser preso e deportado por Israel. Ávila havia sido detido no fim de abril durante a participação em uma flotilha humanitária destinada à Faixa de Gaza. O retorno ocorreu depois de 11 dias de detenção.
Ávila foi recebido no saguão do aeroporto às 18h44 por membros da flotilha Global Sumud, incluindo os brasileiros Mandi Coelho e Leandro Lanfredi, também interceptados pela Marinha israelense. O grupo foi impedido de seguir até Gaza em 29 de abril enquanto navegava em águas internacionais próximas à Grécia, sendo posteriormente deportado.
O ativista, que partiu do Cairo após a libertação no domingo (10), relatou que foi mantido preso em Ashkelon, no sul de Israel, junto ao palestino-espanhol Saif Abu Keshek. A flotilha, formada por mais de 50 embarcações, partiu de França, Espanha e Itália para tentar entregar suprimentos a Gaza e romper o bloqueio imposto pelo governo israelense.
A chegada de Ávila foi marcada pela presença de apoiadores com bandeiras da Palestina, cartazes críticos a Israel e pedidos de rompimento de relações diplomáticas por parte do governo brasileiro. O ativista seguirá ainda hoje para Brasília, onde reside com a esposa e a filha. Sua mãe faleceu recentemente, sem causa da morte divulgada.
ONGs e órgãos internacionais se manifestaram sobre o caso. A israelense Adalah afirmou ter havido maus-tratos e abusos psicológicos contra os ativistas, incluindo interrogatórios de até oito horas, celas permanentemente iluminadas e deslocamento com os olhos vendados. Tel Aviv negou as acusações, classificando-as como “falsas e infundadas”.
Autoridades israelenses alegaram que Ávila tem ligações com a Conferência Popular para Palestinos no Exterior, que, segundo o governo israelense e o Tesouro dos Estados Unidos, tem vínculos com o Hamas. O Ministério de Relações Exteriores de Israel rotulou a missão como “flotilha de provocação”. Governo brasileiro, Espanha e ONU condenaram a detenção e pediram libertação dos ativistas.






