Da redação
A especialista portuguesa Sofia Candeias, encarregada de Assuntos Judiciais da Equipe de Especialistas da ONU sobre o Estado de Direito e Violência Sexual em Conflitos, afirmou que a Síria registrou um “progresso notável” na justiça de transição. Em entrevista à ONU News, em Nova Iorque, Candeias ressaltou que, após mais de dez anos de guerra civil, a evolução estrutural no último ano reacende a esperança de responsabilização e recuperação nacional.
Segundo a especialista, o atual momento é um “ponto de virada” para o país. “Em menos de um ano, o governo, a sociedade civil e os sírios repatriados criaram uma comissão para a justiça transicional, nomearam comissários e prepararam uma nova lei. Se eles conseguirem os recursos necessários, a Síria vai se reerguer”, afirmou Candeias. Ela destacou ainda o reconhecimento internacional da determinação síria, especialmente após a queda do antigo regime de Bashar al-Assad, em dezembro de 2024.
Apesar das conquistas, a ONU adverte que é fundamental manter o apoio internacional diante dos desafios humanitários persistentes e da destruição causada por 14 anos de guerra, que devastou o país. A equipe da ONU auxilia instituições nacionais na apuração e julgamento de crimes relacionados ao conflito, fortalecendo o Estado de direito.
Um dos principais focos do grupo especializado, criado pela resolução 1888 do Conselho de Segurança da ONU em 2009 e intensificado na Síria desde 2024, é o enfrentamento da violência sexual utilizada sistematicamente durante o conflito. O trabalho envolve a colaboração de diferentes agências, como o Departamento de Operações de Paz e o Escritório de Direitos Humanos da ONU.
Candeias ressaltou ainda o papel fundamental da sociedade civil síria e das organizações não governamentais. Esses grupos vêm documentando violações de direitos humanos e constituem, segundo a especialista, “a espinha dorsal” da justiça de transição e a melhor forma de garantir a escuta real dos sobreviventes.






