Da redação
Técnicos e diretores do Banco Central têm discutido internamente o impacto dos juros sobre a atividade econômica e questionado o que consideram um “certo exagero” nas projeções de inflação feitas pelo mercado, de acordo com avaliações realizadas nas conversas internas da autoridade monetária e em contatos com investidores.
Esses membros da equipe de Gabriel Galípolo concentram-se nos efeitos negativos dos juros elevados mantidos por um período prolongado. Parte dos auxiliares teme que, sem ajuste fiscal, aumente a sensação de incerteza e insegurança, o que pode levar a uma recessão, embora esse não seja o cenário-base para os técnicos do Banco Central.
Segundo os técnicos, o ciclo atual da Selic seria apenas de calibração, sem perspectiva de cortes significativos. Com a taxa de juro real próxima de dez por cento, distante da taxa neutra estimada entre seis e oito por cento pelos economistas, a política monetária permanece em patamar restritivo.
Na avaliação interna, diferentemente do discurso do governo Luiz Inácio Lula da Silva, a principal origem dos problemas econômicos está na política fiscal, cuja sinalização e execução de medidas são consideradas fundamentais para desacelerar o crescimento da dívida pública por meio da redução de despesas.




