Da redação
Uma operação policial em Poipet, cidade do Camboja na fronteira com a Tailândia, resultou na fuga de dezenas de pessoas de um complexo onde vítimas de tráfico humano eram mantidas sob promessas de trabalho, conforme relataram moradores locais e autoridades internacionais. O local seria utilizado por quadrilhas para aliciar pessoas de diversas nacionalidades, inclusive brasileiros, que, ao chegar, eram obrigadas a aplicar golpes eletrônicos sob ameaças e violência.
De acordo com relatório do Ministério da Justiça, em 2025 o Camboja foi o principal destino de vítimas brasileiras registradas pelo Protocolo Operativo Padrão de Atendimento, somando 44 dos 84 casos, um aumento de 33% em relação ao ano anterior. O documento afirma que os dados são subnotificados e que o trabalho escravo foi a finalidade predominante do crime no período, especialmente em Poipet, onde as vítimas atuavam nessas condições.
Sobre a atuação das quadrilhas, vítimas relataram jornadas exaustivas, retenção de passaportes, contratos forçados e punições físicas em caso de desobediência ou desempenho abaixo do esperado. Segundo a Anistia Internacional, as operações policiais têm falhado em erradicar os complexos, com denúncias de conluio entre autoridades locais e gerentes, além da criminalização de vítimas. O ministro da Informação do Camboja, Neth Pheaktra, declarou que “o Camboja investigará evidências críveis de que qualquer autoridade tenha protegido operações de golpes online, facilitado essas operações, lucrado com elas ou delas participado”.
O cenário em Poipet reflete um problema regional agravado pela proibição das apostas online em agosto de 2019, o que levou grupos criminosos a utilizar antigos cassinos para executar as fraudes. Após pressão internacional, o governo cambojano iniciou uma campanha de repressão em julho de 2025, incluindo cooperação prática com o Brasil para repatriação e combate a crimes de golpe online envolvendo cidadãos brasileiros.




