Da redação
A Polícia Civil de São Paulo apura a morte de ao menos 11 pessoas por intoxicação causada por bebidas adulteradas com metanol, vendidas pelo mesmo valor das originais. A delegada Isa Lea Abramavicus, do Departamento de Polícia de Proteção à Cidadania, afirmou à Folha de S.Paulo que a vodca Smirnoff adulterada era oferecida a R$ 35 e R$ 39, valor semelhante ao de garrafas autênticas, o que, segundo ela, indica que o objetivo não era baratear custos, mas facilitar a comercialização.
O dono do Torres Bar, na Mooca, onde duas vítimas consumiram as bebidas, disse à polícia ter adquirido os produtos de um intermediário informal. O estabelecimento foi interditado em 30 de setembro de 2025, em operação conjunta da Polícia Civil com as vigilâncias sanitárias. O intermediário identificou Vanessa Maria da Silva como fornecedora, e investigações apontaram que seu ex-marido, Renan Felizardo Martins, já havia sido preso pelo mesmo crime, e que seu pai, João Antônio da Silva, também atuava na adulteração de bebidas.
Em outubro, buscas em endereços ligados a Vanessa, em São Bernardo do Campo, encontraram uma fábrica “precária” de falsificação, com bombonas de etanol, metanol, garrafas vazias e prensa para lacrar embalagens. Vanessa foi presa em flagrante e condenada a sete anos de prisão pelo artigo 272 do Código Penal. Segundo a polícia, sua família e outros intermediários são investigados por homicídio com dolo eventual, cuja pena pode chegar a 30 anos.
A investigação apurou que o grupo comprava álcool etílico já adulterado com metanol em postos de gasolina, sem saber do risco, buscando lucro com a falsificação. Segundo a Secretaria Estadual de Saúde, foram registrados 51 casos de intoxicação e 11 mortes por metanol em São Paulo; outros quatro óbitos seguem em análise.
A polícia já reuniu mais de 5.000 áudios e 20 mil movimentações financeiras vinculadas ao grupo. Ao Fantástico, Vanessa negou as acusações e alegou que a fábrica era uma garagem comum. Seu advogado, Felipe Gomes da Silva Brandão, contestou a legalidade do acesso policial aos dados de seu celular, mas a delegada garantiu que as buscas foram autorizadas judicialmente.





