Início Mundo Portuguesa destaca cooperação científica da lusofonia em relatório da ONU sobre oceanos

Portuguesa destaca cooperação científica da lusofonia em relatório da ONU sobre oceanos


Da redação

Na Terceira Avaliação Mundial dos Oceanos, divulgada pelas Nações Unidas em janeiro de 2023, países de língua portuguesa enfrentam obstáculos, mas são reconhecidos pelo potencial de liderança em preservação dos mares e desenvolvimento da economia azul. O relatório, elaborado por 25 especialistas globais, inclui a participação da cientista portuguesa Maria João Bebianno.

Segundo Bebianno, Brasil e Portugal são motores científicos na temática oceânica. Ela destacou que, além do engajamento brasileiro, Cabo Verde utiliza amplamente relatórios anteriores, enquanto Moçambique apresenta oportunidades transformadoras na exploração sustentável dos mares. Para a pesquisadora, “é preciso maior cooperação e informação sobre as zonas costeiras desses países”.

O documento enfatiza o papel crucial da capacitação técnica como motor para transitar do potencial inexplorado para a economia azul, buscando um modelo próspero e ambientalmente responsável. De acordo com Bebianno, análises como esta servem de apelo à cooperação multilateral, enquanto o conceito “Uma Só Saúde”, adotado pela ONU, conecta saúde marinha e bem-estar humano.

O relatório alerta para desafios crescentes, como o aumento da temperatura do mar, acidificação, perda de oxigênio e poluentes emergentes. Bebianno chama atenção para os riscos além do lixo plástico, defendendo a necessidade de combate aos novos contaminantes que afetam ecossistemas biológicos. Mudanças de temperatura também impactam pesca, aquicultura e migração de espécies.

Apesar dos problemas, a especialista observa sinais positivos em políticas de gestão rígidas, como a recuperação de espécies de atum, e destaca o crescimento das energias renováveis offshore. Segundo ela, o turismo, vital para a lusofonia, requer regras sustentáveis, enquanto o avanço tecnológico impulsiona a compreensão de áreas profundas, onde a exploração de combustíveis fósseis persiste.

O novo Tratado do Alto Mar (Acordo Bbnj) fortaleceu recentemente a governança oceânica, estabelecendo o objetivo de transformar 30% dos oceanos em Áreas Marinhas Protegidas até 2030. Bebianno acredita que esta meta criará santuários ecológicos, protegerá a pesca sustentável e garantirá a permanência do turismo marinho para futuras gerações.