Uma das principais justificativas para o pedido é que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade ao supostamente usar as Forças Armadas para praticar “abuso de poder”

Em meio à crise entre a cúpula militar e o governo federal, líderes de oposição apresentaram hoje um novo pedido de impeachment contra o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Uma das principais justificativas para o pedido é que Bolsonaro cometeu crime de responsabilidade ao supostamente usar as Forças Armadas para praticar “abuso de poder” e tentar impor visões autoritárias, na visão dos parlamentares.
“A troca de comando do Ministério da Defesa, anunciada na segunda-feira (29) confirmou as preocupações da sociedade brasileira acerca de uma nova investida do presidente Jair Bolsonaro com objetivo de usar as Forças Armadas politicamente e de atentar contra as instituições republicanas e democráticas”, afirma trecho do pedido.
Os articuladores da medida são os líderes da Minoria no Senado, Jean Paul Prates (PT-RN), da Oposição no Senado, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), da Minoria na Câmara, Marcelo Freixo (Psol-RJ), da Oposição na Câmara, Alessandro Molon (PSB-RJ), e da Minoria no Congresso Nacional, Arlindo Chinaglia (PT-SP).
Os parlamentares declararam apoio ao general Fernando Azevedo e Silva por defender a preservação das Forças Armadas como instituições de Estado enquanto à frente do Ministério da Defesa. Para os congressistas, a saída dele junto à de comandantes das Forças Armadas aconteceu por não apoiarem Bolsonaro como o presidente gostaria.
No pedido, consta ainda que as trocas são uma “tentativa de cooptação dos quartéis, incitando uma espécie de revolta natural de militares com o status quo, para que almejem à mudança e à ruptura da condução dos rumos da história”.
Segundo os deputados e senadores da oposição, também entre as razões que explicam a saída de Azevedo e Silva da pasta está “a exigência de Jair Bolsonaro a um maior apoio dos comandantes das Forças Armadas às suas medidas mais radicais, como usar o Exército para combater o lockdown nos Estados”.
Bolsonaro tem se declarado contra medidas mais restritivas de circulação adotadas por governadores e prefeitos, chegando a entrar contra alguns no STF (Supremo Tribunal Federal), sem sucesso.
Além da crise com as Forças Armadas e do enfrentamento de Bolsonaro com governadores, os parlamentares citam no pedido de impeachment:
- suposta provocação da animosidade entre as classes armadas contra as instituições civis, com base em manifestação da deputada federal Bia Kicis (PSL-DF) vista como incitação de motim. Ela é uma das principais aliadas de Bolsonaro na Câmara.
- que “arroubos autoritários” de Bolsonaro têm como pano de fundo, entre outros motivos, sua “pública e manifesta insatisfação com o Poder Judiciário, notadamente o Supremo Tribunal Federal”. “Foram inúmeras insinuações, em seus 2 anos de mandato, no sentido de fechar o Tribunal ou de tecer críticas infundadas a suas decisões e de distorcer a mens dos julgados”, diz trecho.
- que Bolsonaro “já deu diversas declarações públicas no sentido de que pretendia decretar – de ofício e individualmente – estado de sítio no Brasil, sob o argumento de enfrentar a pandemia do coronavírus”.
Por Luciana Amaral
Fonte: UOL















