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Desvie o adversário do seu interesse e da sua mensagem

Esta é uma regra básica de estratégia política. Ela diz respeito ao combate político. Trata-se de uma manobra diversionista, mas que pode produzir resultados muito importantes.

Seu adversário, como você, está preocupado em comunicar-se com seus eleitores potenciais, para levar a eles a sua mensagem, da melhor forma possível e pelo maior tempo que puder. No combate político, então, você sempre sai ganhando alguma coisa se consegue desviá-lo do seu rumo.

Sair do rumo é perder tempo e tempo é irrecuperável numa campanha eleitoral

Saindo do seu rumo o adversário fica mais vulnerável. Ele será forçado a enfrentar situações e controvérsias para as quais não está bem preparado, às vezes terá que improvisar, ou terá que dedicar parte do seu tempo e de sua assessoria para informar-se e posicionar-se na questão, tenderá a cometer erros, e, em qualquer hipótese, você vai forçá-lo a perder horas, dias ou até mesmo semanas, para enfrentar a nova situação.

Enquanto isso, você, de um lado, alimenta a controvérsia, denúncia, acusação, e, de outro, mantém seu tempo livre para tratar de levar sua mensagem para os eleitores. Cada hora perdida numa campanha é um tempo irrecuperável. Por isto, desviar o adversário daquilo que é o seu melhor interesse, e de sua mensagem, é sempre uma ação tática de combate muito eficiente.

Para desviar o adversário não é necessário trazer a baila uma questão muito relevante ou uma acusação de grande gravidade. O critério é fixado pelo próprio adversário. Há candidatos de elevada sensibilidade. Basta uma acusação menor para desequilibrá-los e colocá-los numa verdadeira compulsão para responder, corrigir, ou explicar a questão.

Se surgir na mídia uma referência desairosa a ele, uma suspeita de comportamento irregular numa função pública, ou sobre um item do seu currículo, seu adversário terá que perder algum tempo para decidir se responde/explica ou não; se por fim decidir se pronunciar, vai perder tempo reunindo material para comprovar seu pronunciamento; vai gastar mais tempo preparando o que vai dizer, para quem, quando, como, etc.

O resultado é que:

perdeu tempo precioso;
teve que provocar alterações na sua agenda;
mobilizou auxiliares para ajudá-lo;
conforme a situação, gastou além de tempo, recursos para produzir comerciais, ou programas de TV e rádio para responder;
teve que provocar alterações na sua estratégia, que ocorrem após muitas discussões (atacar/não atacar, responder/não responder);
foi forçado a deixar de lado sua preocupação principal que é a de levar sua mensagem para os eleitores.

Como se vê, desviar o adversário do seu rumo é uma ação que pode produzir resultados importantes no combate eleitoral. Se você conseguir encadear várias situações como esta em seqüência, seu adversário vai encontrar muitas dificuldades para desenvolver uma campanha como ele planejou.

Desviar o adversário do seu rumo pode produzir resultados muito importantes

Nem todos os candidatos caem nesta armadilha, ainda que ela seja sempre perturbadora. Mesmo os mais experientes dedicarão tempo para avaliar as conseqüências e decidir o que fazer, porque, sendo experientes, sabem que, muitas vezes, o que parece sem importância para o candidato adquire importância para o eleitor.

Estas recomendações devem também funcionar como advertências, para o caso em que não é você quem desvia o adversário do seu rumo, mas, ao contrário, é ele quem está tentando isto com você.

A primeira e principal advertência é entender o que o adversário está buscando. Você deve descobrir se esta jogada visa desviá-lo do seu rumo estratégico, ou se visa destruir sua candidatura. As respostas serão diferentes, em cada uma destas situações.

Se o objetivo for desviá-lo, administre a situação de forma a poder voltar o mais breve possível ao foco de sua campanha. De quebra, vá preparando uma para ele. Se o objetivo for o de destruir a sua candidatura, então lute, e com a inteligência e garra de quem sabe os riscos que está correndo. Você terá que liquidar a questão e contra-atacar com igual intensidade.

A segunda advertência é não confundir o que é importante para você com o que é importante para o eleitor. Se a matéria só é importante para você, e não lhe traz prejuízos políticos maiores, livre-se dela, ignorando, minimizando, ou respondendo de forma cabal e sucinta, mostrando o objetivo real da jogada.

Se, ao contrário, ela for importante para o eleitor, trate-a como tal e encontre a forma de sair-se bem da situação com o mínimo possível de perdas.

Fonte: Política para Políticos

Em busca da informação confiável

Nada é mais necessário e mais valioso numa campanha eleitoral do que a informação confiável.

Nada é mais necessário e mais valioso numa campanha eleitoral do que a informação confiável. Na realidade uma campanha pode ser encarada como um esforço coordenado para :

É preciso processar informações

(1)    coletar informações (sobre eleitores, projetos, realidade local, apoios, recursos, adversários, e uma multidão de outros itens que facilmente podem ser imaginados.)

(2)    processar informações (avaliar,combinar, separar o que vai ser usado do que não será, priorizar, listar, quantificar, etc)

(3)    interpretar informações (extrair o significado dos dados, identificar tendências, construir cenários, descobrir novas possibilidades e perspectivas, confirmar hipóteses etc)

(4)    formatar informações (em projetos a serem propostos, em estratégias a serem seguidas, em atividades de campanha, na estratégia de comunicação e marketing, como por exemplo, peças)

(5)    comunicar informações (na publicidade de campanha, no discurso do candidato, nos debates, nas entrevistas, nos programas de rádio e TV etc)

A qualidade de uma campanha depende diretamente da qualidade da informação com a qual trabalha. Informação de má qualidade (imprecisa, incompleta, incorreta) empurra a campanha para o perigoso território do “palpitismo”, da intuição e do ativismo voluntarista.

O candidato e sua equipe estão sempre fazendo estimativas. Há entretanto uma enorme diferença entre fazer estimativas com base em informações confiáveis (ainda que insuficientes) e fazer estimativas com base em informações não confiáveis, de baixa qualidade.

Foi o entendimento do papel decisivo e insubstituível da informação confiável, para subsidiar as decisões do candidato numa disputa eleitoral, que provocou a mais importante das transformações ocorridas nas campanhas eleitorais no século XX: a inclusão da pesquisa política no seu núcleo central de estratégia e decisão.

Hoje não mais se concebe uma campanha feita às cegas, baseada apenas na sempre discutível “experiência”, na intuição e na improvisação. Não é possível construir uma campanha eleitoral eficiente sem informações precisas e confiáveis sobre o eleitorado, suas disposições, avaliações, interesses e prioridades São as pesquisas(quantitativas,qualitativas,censitárias de conteúdo etc), realizadas por organizações ou pessoas experientes e qualificadas, o instrumento mais adequado para produzir e organizar as informações indispensáveis à concepção de uma estratégia vitoriosa para a campanha.

Informação confiável, entretanto, não se limita apenas àquelas produzidas por pesquisas.

Refere-se também a toda informação que circula na campanha, que é objeto de discussão nas reuniões, e que é julgada suficientemente importante para subsidiar decisões. Muitas vezes a campanha não dispõe de recursos e/ou tempo para realizar uma pesquisa antes de tomar uma decisão de grande importância para a candidatura. Isto não significa que se deve abandonar a busca pela informação confiável. Muito ao contrário. Nessas situações o esforço para confirmar as informações necessárias para subsidiar a decisão deve ser ainda maior.

A informação confiável também não está só nas pesquisas realizadas

Procedimentos como múltipla checagem; avaliação da sua coerência com outras informações confirmadas, relativas ao mesmo assunto; conversa com analistas e comentaristas políticos; consistência com resultados de outras pesquisas,(realizadas pela campanha ou por rádios,jornais,TV, instituições); e, sobretudo, a interpretação do seu significado e da sua lógica, em função do conhecimento que se possui sobre o assunto, podem reduzir significativamente a margem de incerteza.

Em política, fatos ou informações sobre fatos (ocorridos ou por ocorrer) que não se revelam como auto-explicáveis devem sempre ser analisados pela ótica dos seus resultados e não da intenção.

A pergunta clássica que deve ser respondida é: a quem interessa? A quem beneficia? a ocorrência ou produção daquele fato. Em mais de 90% destes casos a identificação do beneficiado vai esclarecer as razões do fato.

A busca da informação confiável, portanto, deve tornar-se um hábito e uma regra compartilhada por toda equipe, inclusive o candidato, está ao alcance de qualquer campanha (pobre ou rica), e da qual decorrem alguns corolários:

(1) Quando a informação existe e está disponível (por exemplo, dados do censo, pesquisas já publicadas), não há desculpa para não possuí-la;

(2) Quem apresenta informações deve deixar explicitado o grau de confiabilidade delas (muita, razoável, pouca, nenhuma);

(3) O candidato tem que saber combinar confiabilidade e tempo. De nada adianta buscar uma confiabilidade que demore tanto para ser obtida que faça com que se perca o momento de usá-la. Nestes casos, é melhor decidir com base em informações razoavelmente seguras, ou até precárias, para não perder o momento e as oportunidades;

(4) Há decisões que, por sua importância e premência de tempo, precisam ser tomadas com poucas informações confiáveis ou com informações contraditórias. O candidato, nestes casos, não deve hesitar. Deve tomar as decisões necessárias, fazendo uso do seu melhor julgamento, e correndo os inevitáveis riscos. É aconselhável porém que prepare, por antecipação, uma alternativa de correção, para o caso de erro.

Fonte: Política para Políticos

Campanha Permanente: uma introdução

O fim da eleição é o começo de outra, até mesmo para o candidato que se elegeu.

Terminada a eleição, empossado o novo governante, a concepção dominante é de que o novo governo deve “parar de fazer política” e preocupar-se em administrar. O momento da política é a campanha eleitoral. O período de governo é o momento da administração.

É preciso pensar no mandato como campanha permanente

Harry Truman, presidente dos EUA, sintetizou essa forma de pensar numa frase que teria dito para o recém eleito John Kennedy:

“Uma vez eleito, pare de fazer campanha.”

Essa concepção, que separa radicalmente a atividade política da atividade de governo, é contestada por outra que sustenta:

“Terminada a eleição, começa a eleição.”

Nessa maneira de ver o processo político, a clássica dicotomia: eleições=política; governo=administração, deixou de existir. Hoje é costume dizer que: terminada a campanha eleitoral, começa a nova campanha. Cada vez mais, essa é a maneira predominante como os políticos, governantes e profissionais, passaram a encarar o período pós eleição.

Ninguém questionará que esta deva ser a atitude do candidato que não logrou se eleger, e que pretende seguir a carreira política. Tendo lhe sido negado pelo voto o espaço do governo e da administração, permanecerá no território da política, em busca de uma nova chance.

Já a situação do candidato que se elegeu, tende a ser vista de maneira diferente. No passado recente, e, em grande medida ainda nos dias de hoje, acredita-se que, uma vez eleito, “chega a hora de governar, de administrar, e não de fazer política”.

É certo que, para o candidato eleito, as prioridades mudam. Dele se espera agora, que cumpra o que prometeu na campanha eleitoral, pelo exercício dos poderes administrativos que o mandato lhe confere. O que há de novo, entretanto, não é a alteração da ordem de prioridade, e sim o fato de que a política contemporânea exige do líder eleito que, no período que separa uma eleição da outra, ele governe e faça “campanha política” ao mesmo tempo!

Campanha Permanente: o surgimento

Essa nova realidade política não surgiu da vontade de nenhum líder ou partido político. Tampouco resultou de mudanças na legislação eleitoral. Não é portanto, matéria de livre escolha do governante. Trata-se de uma imposição das novas condições em que o jogo político passou a ser jogado.

Ela é uma decorrência das mudanças tecnológicas, científicas, e culturais, difundidas pelas novas tecnologias de comunicação de massa, que passaram a reger a nossa maneira de viver, sobretudo a partir de meados do século XX.

É a universalização da sociedade de massas, ou, nas sociedades mais institucionalizadas, a universalização dos comportamentos de massa, que originou a nova política, da qual a campanha permanente tornou-se uma de suas marcas. O ritmo dos eventos sofreu uma enorme aceleração, enquanto o seu grau de permanência foi dramaticamente reduzido. O próprio ambiente em que ocorrem os fatos políticos tornou-se nervoso, instável, imprevisível e amplamente socializado, revolvendo, diariamente, uma massa de informações, cujo volume está fora do alcance do cidadão comum acompanhar, e menos ainda interpretar.

Não coloque a sua base política em segundo plano, isso será percebido e você terá “troco”

Para governar passou a ser necessário reter e ampliar o poder obtido nas eleições. Sem essa providência, o poder tende a se dispersar e retornar ao mercado político. A campanha permanente surgiu então, porque o poder deixou de ser encarado como um estado de coisas estabilizado até a próxima eleição, como decorrência de uma decisão eleitoral.

Ao contrário, o poder ficou sujeito a uma dinâmica permanente de fatos políticos que, de maneira informal mas muito real, estende o período de campanha (como período de preparação da próxima eleição) por sobre o período do mandato recém conquistado. Em outras palavras, quem ganhou que trate de reter e ampliar seu poder, e dar a ele a perspectiva de continuidade.

Quem perdeu, ou se situa na oposição ao governo, que trate de começar imediatamente a preparação do seu reposicionamento político pessoal, com vistas a disputar a próxima eleição. É o que passou a ser chamado de campanha permanente.

O que se quer transmitir, com este conceito é:

1.    Que campanha e governo, embora correspondam a realidades bem diferentes, não podem e não devem ser tratados como mutuamente excludentes.

2.    A experiência tem comprovado que, fazer um bom trabalho no exercício do mandato, ser um executivo competente ou um legislador produtivo, não é suficiente para assegurar a vitória na próxima eleição. Estes dois “fatos” da vida política justificam o argumento da conveniência de pensar-se o mandato em termos de uma “Campanha permanente”.

Fonte: Política para Políticos

PF plantou câmera em Durval para filmar Arruda

Gravações feitas dentro da sede da Polícia Federal, em Brasília, mostram agentes implantando equipamentos de filmagem no corpo de Durval Barbosa, delator responsável pela queda de José Roberto Arruda; “vai dar tudo certo”, diz a agente; fora da PF, Durval pega o carro e diz seu destino: a casa do governador.

Delator do ‘mensalão’ do DEM, Durval Barbosa filmou de dentro da casa do então governador do Distrito Federal José Roberto Arruda com equipamentos da Polícia Federal. Um dos vídeos feitos por Durval foi publicado nesta sexta-feira 2 pelo site QuidNovid, do jornalista Mino Pedrosa.

Fonte: Brasil 247

Não gostaram

Os policiais civis não gostaram nada, nada da atitude do governador Agnelo Queiroz de tirar deles a tarefa de realizar vistoria nos veículos de outros estados a serem transferidos para o DF. Agora, a atribuição é do Detran-DF. Tanto que, na sexta-feira, o Sindicato dos Policiais Civisi do DF (Sinpol-DF), divulgou nota de repúdio à atitude do líder do Executivo local.

Fonte: Blog do Livio di Araujo

Eleições nos EUA – Obama disputa voto a voto para se reeleger

Na véspera da eleição, o presidente Barack Obama e o ex-governador Mitt Romney tentam romper o empate nas pesquisas, numa última arrancada de comícios em estados que vão decidir o pleito. Cada candidato percorre hoje três estados à caça de votos, numa maratona que ontem abrangeu, no total, outros sete. No complicado xadrez eleitoral, Obama tenta manter a vantagem, ainda que dentro da margem de erro, em cinco dos nove estados essenciais, especialmente no Meio-Oeste – o suficiente para assegurar a reeleição, relatam as correspondentes Fernanda Godoy e Flávia Barbosa. Romney, por sua vez, corre o risco de ganhar na votação popular, mas perder no Colégio Eleitoral.

Fonte: Congresso em Foco

‘Cidades de tendas’ se espalham pelos EUA

A menos de 80 km dos milionários apartamentos da Quinta Avenida em Nova York, um grupo de 90 desempregados mora em barracas compradas no Walmart, sem luz e água, fazendo xixi em penico e tomando banho em bacias, no meio de um bosque. Lakewood, em Nova Jersey, é uma das cerca de cem “tent cities” (cidades de tendas) que surgiram nos EUA desde o início da crise, em 2008.

Muitos dos que vivem assim perderam as casas por não pagarem hipotecas ou ficaram na rua depois de serem demitidos e atrasar o aluguel. Nos EUA, tornaram-se o rosto mais visível do crescimento da desigualdade, um dos temas mais quentes da eleição de amanhã entre Barack Obama e Mitt Romney.

Fonte: Congresso em Foco

A família do candidato pode aparecer na sua publicidade

As campanhas eleitorais no Brasil, contrariamente às dos EUA, não têm o hábito e relutam muito em envolver a família do candidato na sua publicidade. Talvez ainda predomine, entre nós, a concepção tradicional e latina da política, como uma atividade masculina e adulta.

Barbara Bush apareceu em um comercial de campanha para ajudar seu marido George Bush

A família, em especial a mulher do candidato, nesta concepção, deve ficar fora da política, protegida num “território proibido” à campanha. Com a presença cada vez maior da mulher em todas as áreas profissionais, e, na política, não apenas em cargos legislativos, mas também nos executivos, esta concepção tradicional está dando lugar à outra mais moderna.

Entretanto, estamos ainda muito distantes da intensidade de participação dos familiares em campanhas eleitorais que ocorre nos EUA. A cada eleição presidencial, a presença feminina cresce, quando comparada com eleições anteriores.

Em 2002, por exemplo, Roseana Sarney chegou a polarizar com Lula nas pesquisas de intenção de voto; Serra foi levado a escolher Rita Camata para sua companheira de chapa; e Patrícia Pillar ocupou um espaço próprio e de grande impacto favorável na candidatura de Ciro Gomes.

No Brasil, em eleições estaduais e municipais, para o executivo e legislativo, ainda não se descobriu, nem explorou, o enorme potencial político representado pela família do candidato, e, de modo muito especial, pela esposa do candidato. Ninguém está mais próximo do candidato, mais autorizado a falar em seu nome, mais credenciado para defendê-lo ou promovê-lo, que a sua esposa.

Nos EUA, para citar apenas o caso da família Clinton, a esposa do Presidente, Hillary, por mais de uma vez- primeiro na campanha e depois na Casa Branca- fez pronunciamentos pessoais em defesa de seu marido, que foram decisivos para a sua vitória e depois para a sua permanência no cargo.

Nesta coluna, vamos ilustrar, com o comercial de Bárbara Bush, esposa do Presidente George Bush (pai), um tipo de peça publicitária protagonizada pela esposa do candidato. Trata-se de um comercial produzido para a campanha presidencial de 1988, em que Bush concorria contra Dukakis do partido democrata, e sobre a qual já reproduzimos várias peças e comentários.

Aquela eleição ficou marcada como particularmente agressiva, um marco histórico no que se chama de “campanha negativa”. Bush, com seu chefe de campanha Lee Atwater, usou em grande escala e com êxito, a “campanha negativa” contra Dukakis, vencendo a eleição.
Qual era o problema?

A imagem de Bush (pré-existente) era de uma pessoa fria, aristocrática, superior, distante das pessoas comuns

O problema residia no fato de que a campanha negativa, por mais eficiente que venha a ser para derrotar um adversário, tem os seus custos para quem a pratica. A imagem de Bush (pré-existente) apresentava-o como uma pessoa fria, aristocrática, superior, e distante das pessoas comuns.

A campanha negativa contra Dukakis agregara a esta imagem os atributos de um político agressivo contra seu adversário, ao ponto da crueldade. (Confira mais detalhes em O Comercial Willie Horton derruba Dukakis).

Para amenizar esta imagem, torná-la mais humana, “a família entrou em campo” com Barbara Bush apresentando um comercial no qual ela descrevia seu marido e manifestando seu desejo de que os americanos vissem “o George” como ela o via. Neste comercial foi usado como locutor o famoso artista de Hollywood Charlton Heston.

O Comercial

O comercial abre com o som de uma música alegre e sincopada sendo tocada ao piano em off enquanto uma menina pequena aparece no vídeo correndo e, com o recuo da câmera, Bárbara e George são vistos brincando com os netos. Seguem-se cenas de um picnic de família, e ouve-se a voz de Bárbara dizendo:

“Eu gostaria que as pessoas pudessem vê-lo como eu o vejo. Como milhares de pessoas o vêm.”

Aparece Barbara Bush falando para a câmera e dizendo:

“Mas vocês sabem, eu sempre adorava aquele tempo em que alguém diria a George: ‘Como é que você pretende concorrer à Presidência, se você não tem uma base eleitoral fixa?'”. Corte rápido para a cena de George Bush brincando com os netos depois cozinhando, enquanto Barbara continuava, em off:

Michael Dukakis acabou derrotado por George Bush na corrida eleitoral norte-americana

“E George dizia: Bom, você sabe, eu tenho uma família muito, mas muito grande mesmo, e além disso, tenho milhares de amigos”. E, é verdade, ele tem mesmo.”

Corte para fotos de Bush num porta-aviões, nas Nações Unidas, fazendo o juramento de vice-presidente, junto com Margareth Thatcher, junto com uma mulher pobre de origem eslávica, com Walenski, seguidas de cenas filmadas de Bush atirando a neta para o ar e beijando-a. Enquanto esta seqüência de fotos e cenas filmadas é apresentada, ouve-se, em off, a voz de Charlton Heston dizendo:

“Por mais de 40 anos, George Bush enfrentou todos os desafios que o seu país e o mundo lhe puseram pela frente. A verdade é, quanto mais você conhece George Bush, mais você descobre que talvez ninguém, neste século, está mais preparado do que ele para ser presidente dos Estados Unidos”

Concluída a locução, aparece letreiro superimposto à tela com a frase: “George Bush uma liderança experiente para o futuro da América”.

Fonte: Política para Políticos

Bandwagon-effect: a síndrome do “efeito adesão” no processo eleitoral

Por que alguns eleitores tendem a manifestar preferência para o candidato que “está na frente”?

É amplamente comentado pela grande imprensa, pelos analistas e pelos candidatos, o efeito da flutuação nas intenções de voto apontadas pelas pesquisas eleitorais. De uma hora para outra, o quadro eleitoral pode sofrer alterações a partir de fatos negativos ou positivos divulgados a respeito dos candidatos.

Flutuação das intenções de voto que aparece nas pesquisas existe mesmo

Tais situações podem exigir mudanças de estratégias para manter a candidatura no páreo até o final da corrida eleitoral. Pois bem, dentre tantos elementos que compõe o ambiente psico-social de uma eleição, está o bandwagon-effect, ou a síndrome do “efeito adesão”.

Bandwagon-effect

O chamado bandwagon-effect, nada mais é do que a tendência das preferências eleitorais se transferirem para o candidato que desponta nas pesquisas.

Em outras palavras, quando um candidato é apontado pelas pesquisas de intenção de voto como favorito, com um percentual significativo de vantagem na preferência dos eleitores em relação aos demais candidatos, ocorre uma transferência de intenções de voto para o primeiro colocado, ou seja, a parcela dos eleitores que não possuem uma escolha consolidada tende a manifestar preferência para o candidato que “está na frente”.

Esse efeito “efeito adesão” ocorre porque os eleitores acreditam que, votando em um candidato que fatalmente será derrotado, estarão “desperdiçando seu voto”, comportamento esse que pode se acentuar com o apelo ao “voto útil”, que geralmente é adotado pelo primeiro colocado, ou por aquele candidato que está mais próximo ao líder nas pesquisas e que pode levar a disputa para um segundo turno.

Eleitores que não têm convicção do voto acabam votando em quem está na frente

Estima-se que a expressão bandwagon-effect tenha sido incorporada ao vocabulário político norte-americano em 1902, numa história em quadrinhos sobre a carreira política de Theodore Roosevelt. Com o tempo, essa expressão foi sendo utilizada até em eleições papais nas quais os cardeais são induzidos a direcionar seu voto para o candidato mais votado no último escrutínio.

De fato, o bandwagon-effect, aplicado aos processos eleitorais, manifesta-se com maior força, em contextos nos quais os eleitores demonstram uma baixa identificação com os partidos políticos e pouco interesse pela atividade política.

Em processos eleitorais nos quais as identidades partidárias são mais enraizadas, como no continente europeu, os eleitores são menos susceptíveis ao bandwagon-effect. Nestes contextos, até podem ocorrer surpresas durante o processo eleitoral, mas é preciso que fatos mais consistentes ocorram para haver um deslocamento das preferências de voto.

Fonte: Política para Políticos

Uma explicação de Maquiavel para a visão negativa da política e dos políticos

Pensador italiano sustenta a irremovível diferença que existe, entre a lógica da vida pública e a da vida privada.

“Como é louvável um príncipe que mantém a sua palavra e vive com integridade! Assim mesmo, a experiência dos nossos tempos mostra que os príncipes que não mantêm a sua palavra, tiveram muito sucesso em seus governos, e foram capazes, pela astúcia, de confundir as mentes das pessoas. Estes príncipes, que não honraram suas palavras, tiveram em última análise mais sucesso do que os príncipes que fizeram da lealdade o fundamento do seu poder.” “Por isso, um governante prudente não deve manter sua palavra, quando fazê-lo for contra o seu interesse, e, quando as razões que o fizeram comprometê-la não mais existirem. Se os homens fossem bons, este preceito seria errado e condenável, mas, como eles são maus e não honrarão as suas palavras com você, você também não está obrigado a manter a sua para com eles.”
(Maquiavel – O Príncipe Cap. XVIII)

O parágrafo do Príncipe permite entender as razões, pelas quais Maquiavel sustenta a irremovível diferença que existe, entre a lógica da vida pública e a da vida privada.

No núcleo básico do pensamento político de Maquiavel, encontra-se, não apenas uma radical diferença entre as duas esferas, como a presença de uma “alquimia política”, mediante a qual, o que é virtude numa esfera tende a tornar se vício e defeito, quando aplicado em outra esfera da vida.

Lógicas da vida pública e da vida privada são muito diferentes

Tornava-se assim impossível para Maquiavel a existência de uma mesma ética, aplicável com igual validade, à esfera familiar e à esfera política.

Rompia Maquiavel com o pensamento dominante da Idade Média, consolidado de forma genial e definitiva, na Suma Teológica de Sto. Tomás de Aquino e na filosofia escolástica, que, pelos séculos vindouros, seria o “código” da ortodoxia do pensamento cristão.

Ortodoxia que se assentava no princípio conhecido como “A Grande Corrente do Ser”, mediante o qual o universo era penetrado por uma ordem hierárquica que vinha de Deus, na sua cúpula, até o mais inferior dos seres, na sua base.

Com Maquiavel começa então uma análise da política, que se apoia na prática, no comportamento humano como evidenciado na realidade e na história, e não em princípios religiosos e filosóficos, revelados ou racionalmente concebidos. Com Maquiavel rompe-se uma tradição de pensamento político que vinha desde a Grécia Clássica, passando por Roma, e por toda a Idade Média Europeia, cujos pressupostos básicos eram os mesmos.

Para Maquiavel e para os pensadores da “escola realista” da política que viriam a seguir(como Baltasar Gracián, Cardeal Mazzarino, Cardeal Richelieu, Guicciardini, Mandeville), a vida pública possui uma natureza muito diferente da vida privada.

Certos comportamentos totalmente recomendáveis e elogiosos na vida privada, se transpostos para a vida pública, revelam-se catastróficos, e, inversamente, comportamentos censuráveis nas relações privadas, mostram-se necessários e até indispensáveis na vida pública.

Esta contradição entre virtudes e defeitos na vida privada e na vida pública, foi analisada com excepcional objetividade e crueza, por Maquiavel. No Príncipe, ele demonstra como uma virtude da vida privada, se adotada literalmente pelo governante, transforma se no seu oposto na vida política.

O que o “sovina” fizer para o povo será recebido como uma agradável surpresa

O governante liberal, por exemplo, no seu desejo de agradar a todos, gasta mais do que poderia, tendo que depois criar novos impostos e coletá-los avidamente, para cobrir o déficit.

Já o governante “sovina” gera poucas expectativas, e, como dele só se esperava o pior, aquilo que fizer para o povo será sempre recebido como uma agradável surpresa e dobrada satisfação. Além disso, gastando pouco não precisará aumentar os impostos.

Em resumo, a sovinice, um defeito na vida privada, torna-se uma virtude na vida pública, enquanto que a liberalidade, uma virtude na vida privada, transforma o governante num antipático e autoritário arrecadador. Maquiavel usa vários exemplos análogos a este, para justificar a paradoxal relação existente, entre virtudes e defeitos na vida privada e na vida pública.

Qualquer político sabe, se não por teoria por experiência, que esta diferença é real, e, provavelmente, já terá vivido, na sua carreira situações como as descritas por Maquiavel.

Provavelmente constatou que o “comportamento virtuoso” da vida privada, literalmente transposto para a vida pública, produziu efeitos políticos desastrosos, enquanto que outros comportamentos menos virtuosos, foram instrumentais para o sucesso político.

É nessa diferença que reside a ambiguidade da política para o cidadão comum, e a sua tendência de encará-la de maneira negativa e pejorativa.

O cidadão comum continua cultivando os valores da vida privada, acreditando que devam ser os mesmos que devam regular a vida pública, enquanto o político e o governante são forçados a administrar aquela inevitável contradição.

Na vida privada o que se disse ontem tem que ser mantido amanhã, na vida pública a capacidade de mudar de opinião é não só natural como indispensável; na vida privada mudar de partido é uma falta de princípios, na vida pública uma contingência comum; na vida privada a promessa feita é um compromisso moral, na vida pública é um compromisso político, sujeito a variadas condições.

Por não compreender a diferença de natureza que existe entre as duas esferas de vida e, porque nenhum político se atreve a explicá-la ao eleitor ( até porque estaria liquidado politicamente no momento em que o fizesse), permanece esta “brecha” perceptiva entre o eleitor e o político.

O eleitor tende então a desenvolver uma visão pejorativa da atividade política, e uma imagem negativa dos políticos.

Os políticos, por seu lado, tendo que agir levando em conta a lógica própria da esfera pública, precisam, pelo menos, “parecer” aos eleitores que adotam os comportamentos determinados pelos valores da esfera privada. É desta “brecha” estrutural que provêm os preconceitos para com a atividade política e os políticos. É a partir dela que os políticos recorrem às ações e técnicas do marketing político.

Existe uma “brecha” perceptiva que obriga o político a viver duas vidas

É por causa dela que um ataque à honra pessoal do político é tão devastador, podendo liquidar com uma carreira.

É ela que obriga o político a viver duas vidas: com os eleitores cultivando os valores e virtudes da vida privada, por meio dos quais é visto como um deles, e conquista a sua confiança; com os outros políticos e governantes, praticando a “lógica do poder”, sem a qual não sobrevive na selva política.

Esta é uma “brecha” perceptiva que não se elimina.

Seria preciso que os eleitores adquirissem um maior conhecimento, sofisticação e experiência sobre a vida política, para entender o problema como tal, sem preconceito, e compreender melhor as peculiaridades da carreira política, separando com segurança “o joio do trigo”.

Atente-se que não estamos nos referindo ao contraste entre honestidade e desonestidade, entre ética e corrupção.

Mesmo os políticos mais honestos têm que recorrer a expedientes aos quais, como regra, não precisam recorrer na vida privada, para esconder sua estratégia; para se proteger das promessas; para fazer alianças e coalizões sem as quais não conseguirá governar, etc.

A “nobre arte da política” transforma-se então num setor de atividades, onde reina a ambiguidade, estando sempre a um passo da censura pública.

Reconhecer esta diferença não significa, porém, tolerar comportamentos desonestos. Significa apenas admitir que a esfera pública possua uma lógica própria, diferente da vida privada, como alertou Maquiavel há cinco séculos.

Não é preciso ser desonesto para ter sucesso político.

Ao contrário, a desonestidade é um caminho que conduz ao desastre político e pessoal. Por outro lado, um político que queira se comportar na esfera política como se comporta na vida privada, também muito dificilmente logrará sucesso.

Os valores e princípios morais são indispensáveis ao político. São eles que, em última análise, conferem sentido à sua carreira e às suas atividades. Entretanto quem os utiliza, para com eles esgrimir no cotidiano da vida política, não vai longe.

A absoluta intransigência moral – como a ideológica- torna o político demasiado rígido para a intrínseca plasticidade da vida política.

Na política poucas são as vezes em que se decide entre o mal absoluto e o bem absoluto. A maior parte do tempo decide-se sobre o mal menor e o bem possível, matérias que estão longe de possuir aquela característica de escolha apocalíptica.

Fonte: Política para Políticos

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