Bolsonaro e Eduardo são indiciados por usar redes sociais para pressionar autoridades

Da redação do Conectado ao Poder

PF aponta que pai e filho atuaram em conjunto para interferir na ação do golpe de Estado em tramitação no STF

A Polícia Federal indiciou nesta quarta-feira (20) o ex-presidente Jair Bolsonaro e o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) sob a acusação de coação em processo ligado à tentativa de golpe de Estado. O inquérito aponta que ambos usaram redes sociais como ferramenta de pressão contra autoridades e para atrapalhar o andamento da ação penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF).

De acordo com o relatório, Jair Bolsonaro manteve intensa atividade digital mesmo após restrição judicial que o proibia de utilizar plataformas online. A PF recuperou mensagens apagadas em que Eduardo e o pastor Silas Malafaia incentivavam o ex-presidente a seguir publicando conteúdos de caráter político e de ataque a instituições.

Um dos episódios destacados pela investigação ocorreu em julho, quando Bolsonaro ativou um novo celular. Nesse momento, Malafaia enviou uma mensagem pedindo que ele “disparasse” vídeos pela internet. O pastor se tornou alvo de mandados de busca e apreensão e também teve o passaporte recolhido.

O relatório ainda cita publicações de Eduardo Bolsonaro em inglês, com o objetivo de atingir audiência internacional. Segundo a PF, as mensagens tinham como finalidade “embaraçar o andamento da Ação Penal nº 2688/DF e coagir autoridades públicas brasileiras”, configurando tentativa de interferência direta no processo.