Por Alex Blau Blau
Caso envolvendo jovem de 19 anos ganhou novos desdobramentos após prisão da suspeita e apresentação de áudios que relatariam violência extrema dentro da residência da patroa
A empresária Carolina Sthela Ferreira dos Anjos passou a ser investigada por cinco crimes após ser presa sob suspeita de agredir brutalmente uma empregada doméstica grávida de cinco meses no município de Paço do Lumiar, na região metropolitana de São Luís. O caso provocou forte repercussão e mobilizou autoridades policiais e órgãos de defesa dos direitos humanos.
Segundo a Polícia Civil, a empresária responde por tentativa de homicídio triplamente qualificado, cárcere privado, calúnia, difamação e injúria. As investigações apontam que a jovem de 19 anos teria sido submetida a uma sequência de agressões físicas e ameaças após ser acusada de roubar um anel da patroa.
A prisão da suspeita ocorreu em Teresina, no Piauí. De acordo com investigadores, ela teria sido localizada em um posto de combustíveis quando supostamente tentava deixar o estado. A defesa da empresária nega qualquer tentativa de fuga.
Após a captura, Carolina Sthela foi levada para São Luís, onde prestou depoimento por mais de uma hora na delegacia responsável pelo caso. Durante o interrogatório, ela não reconheceu como sendo seus os áudios divulgados nas redes sociais e anexados ao inquérito policial. A empresária solicitou perícia técnica para comprovar a autenticidade do material.
Nos áudios atribuídos à suspeita, uma mulher descreve cenas violentas envolvendo a vítima. As gravações revelam detalhes de agressões físicas, incluindo socos, murros, tapas e ataques enquanto a jovem permanecia caída no chão. Em um dos trechos, a autora da gravação afirma que a vítima “não era para ter saído viva”.
O delegado geral da Polícia Civil informou que o inquérito ainda está em andamento e que novos elementos devem ser analisados nos próximos dias. Segundo ele, apesar da quantidade de provas já apresentadas, ainda existem informações pendentes de confirmação.
A vítima relatou em depoimento que foi atacada após a patroa afirmar que um anel havia desaparecido dentro da residência. A jovem contou que sofreu puxões de cabelo, socos e ameaças enquanto tentava proteger a barriga por causa da gestação.
Horas depois, segundo o relato, o objeto foi encontrado em um cesto de roupas sujas, mas as agressões continuaram mesmo após a localização da joia.
A doméstica também afirmou que foi ameaçada de morte caso denunciasse o episódio à polícia. Ela declarou que passou grande parte do tempo caída no chão enquanto era agredida.
Outro ponto investigado é a possível participação do policial militar Michael Bruno Lopes Santos. Segundo a vítima, ele teria participado das agressões e intimidado a jovem dentro da casa da empresária.
O policial se apresentou às autoridades e negou qualquer envolvimento nos ataques. Em depoimento, afirmou que esteve na residência apenas para entregar documentos a pedido do marido da empresária.
Mesmo com a negativa, a Polícia Civil mantém o militar como investigado no caso. Paralelamente, a Corregedoria da Polícia Militar abriu procedimento para apurar a conduta dele e de outros quatro policiais que atenderam inicialmente a ocorrência.
Os agentes foram afastados das funções após a divulgação de áudios em que a empresária afirma que não foi conduzida à delegacia porque conhecia um dos policiais presentes no atendimento.
A jovem relatou ainda que trabalhava em condições consideradas abusivas. Segundo ela, acumulava diversas funções dentro da casa, incluindo limpeza, cozinha, lavagem de roupas e cuidados com uma criança de seis anos.
De acordo com o depoimento, a jornada começava às 9h e seguia até às 19h, de segunda a sábado, com apenas 30 minutos de intervalo. Ela afirma ter recebido apenas R$ 750 por mais de duas semanas de trabalho, com pagamentos realizados por meio de contas de terceiros.
As investigações também revelaram que a empresária possui histórico de processos judiciais. Em um dos casos, ela foi condenada anteriormente por acusar falsamente uma ex babá de roubo. A Justiça determinou pagamento de indenização por danos morais e prestação de serviços comunitários.
A ex funcionária afirmou que também recebia pagamentos indiretos e relatou ter sido acusada injustamente após deixar o emprego.
Em nota divulgada por sua defesa, Carolina Sthela afirmou repudiar qualquer forma de violência e pediu que o caso não seja julgado antecipadamente. A empresária declarou que está colaborando com as investigações e que pretende apresentar sua versão oficialmente durante o andamento do processo.
A defesa do policial militar também informou que ele nega qualquer participação nas agressões e que aguarda acesso completo ao inquérito para apresentar manifestação técnica.
Enquanto isso, a jovem segue recebendo apoio jurídico e psicológico. O caso continua sendo investigado pela Polícia Civil do Maranhão, que busca esclarecer todos os detalhes das agressões e identificar possíveis responsabilidades criminais dos envolvidos.







