Da redação
O Brasil oficializou sua adesão à Convenção Aduaneira sobre o Transporte Internacional de Mercadorias ao Abrigo de Cadernetas, conhecida como TIR. A medida, administrada pela Comissão Econômica da ONU para a Europa (Unece), foi anunciada como um avanço central para a integração aduaneira e o comércio regional na América do Sul. O tratado entra em vigor no país em 30 de julho de 2026.
Com a adesão, o Brasil tornou-se o 79º Estado Parte do acordo da ONU, juntando-se a Argentina, Chile e Uruguai. O sistema TIR tem potencial para reduzir em até 92% o tempo de transporte transfronteiriço e em até 50% os custos nas fronteiras, segundo dados da Unece. A novidade coincide com iniciativas de países da região para aprimorar o trânsito de mercadorias pela Rota Bioceânica.
O Corredor Bioceânico, de 2.396 quilômetros, conecta os portos chilenos de Antofagasta e Iquique ao porto de Santos, em São Paulo — o mais movimentado da América Latina e responsável por quase 30% do comércio externo brasileiro, avaliado em US$ 629 bilhões. Estima-se que a rota poderá transportar mais de 8,6 milhões de toneladas por ano, com projeção de impacto superior a US$ 3 bilhões em setores como agricultura, celulose, carnes e mineração.
A Unece calcula que a integração promovida pelo corredor reduzirá custos de transporte em 30% a 40% e encurtará prazos de envio em até 15 dias. A adesão à Convenção TIR está ligada também ao contexto do acordo de livre comércio entre União Europeia e Mercosul.
A secretária executiva da Unece, Tatiana Molcean, afirmou que a adesão do Brasil “trará múltiplos benefícios”, fortalecendo a integração regional e a competitividade internacional. A Convenção TIR prevê ainda a modernização por meio do sistema eletrônico eTIR, que elimina cadernetas físicas e reduz burocracias, diminuindo filas e impactos logísticos nas fronteiras.








