Da redação
Autoridades brasileiras elaboraram uma estratégia para proteger o processo eleitoral diante do temor de interferência do governo de Donald Trump nas eleições presidenciais brasileiras, segundo reportagem do jornal The New York Times publicada em 28 de setembro. Entre as medidas destacam-se monitoramento de lobby estrangeiro, rastreamento de campanhas de desinformação, combate a acusações falsas de fraude e articulação com outros países para resposta conjunta após o resultado.
De acordo com o The New York Times, o Brasil estaria erguendo uma barreira contra possíveis tentativas de manipulação vindas dos Estados Unidos, diante do receio de que Trump repita no país táticas já usadas em outras eleições latino-americanas. Missões diplomáticas da União Europeia, Canadá, Japão, Austrália e outras nações estariam em conversas informais para defender rapidamente a integridade do pleito brasileiro, independentemente do vencedor, embora haja cautela em relação a um confronto direto com os EUA.
A publicação afirma ainda que, embora Donald Trump não tenha declarado apoio público a nenhum candidato, teria impulsionado indiretamente a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL), inclusive com medidas para desgastar a imagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Em outro episódio, no passado, Trump recorreu a sanções e ameaças de tarifas para apoiar Jair Bolsonaro, pai de Flávio, que alegou fraude eleitoral sem comprovação — tentativa considerada fracassada pelo jornal, resultando na condenação de Bolsonaro a 27 anos de prisão.
O The New York Times cita que, recentemente, o governo Trump rejeitou as acusações de tentativa de interferência eleitoral feitas pelo Brasil, mesmo após ter buscado enviar uma delegação americana para investigar o processo. O texto relata iniciativas do governo brasileiro voltadas ao aumento da confiança no sistema eleitoral, como campanha educativa com mascote, e destaca a preocupação de que, em caso de derrota, Flávio possa questionar a legitimidade dos resultados, a exemplo do ocorrido com Trump.



