Da redação
O Peru atravessou a última década com estabilidade institucional e crescimento econômico, mesmo enfrentando sucessivos impeachments presidenciais. O novo governo, que assume em 28 de julho de 2026, impulsiona a renovação das relações bilaterais com o Brasil, às vésperas do bicentenário do vínculo diplomático, comemorado em 3 de fevereiro de 2027.
Durante mais de quatro anos de observação diplomática, nota-se uma redefinição nos laços entre Brasil e Peru. Embora o início do século tenha sido marcado por intensa atividade diplomática, os resultados práticos na integração foram limitados. Na última década, a cooperação se tornou mais constante, com foco em ações concretas envolvendo autoridades locais e empresariado.
A colaboração bilateral inclui os comitês das fronteiras sul, norte e centro, instalados desde 2023, que trouxeram avanços em áreas como alfândega, migração, comércio, turismo e iniciativas da Câmara de Comércio Cambraper. O Brasil, que figura como principal parceiro econômico do Peru na América Latina, movimenta aproximadamente US$ 5 bilhões em negócios anuais.
Além das relações comerciais, há colaboração estruturada entre as forças policiais, Armadas e judiciárias, abrangendo inteligência, treinamentos, digitalização e projetos sociais. Persiste o trabalho conjunto para povos indígenas, gestão ambiental, saúde e manejo de resíduos, ampliado por obras de infraestrutura que visam melhorar a integração física na fronteira.
O porto de Chancay, no Peru, surge como ponto estratégico para exportações brasileiras, especialmente no contexto de intensificação do comércio com a Ásia. Experiências-piloto contemplam o transporte de cereais, madeira, carnes congeladas e insumos para a Zona Franca de Manaus, explorando o potencial da rodovia Acre-sul peruano e da rota Manaus-Iquitos.
Para avançar, os dois países buscam consolidar os comitês de fronteira, superar entraves comerciais e fortalecer iniciativas conjuntas contra o crime na Amazônia, contra o desmatamento e pelo desenvolvimento sustentável. A proposta inclui fortalecer instâncias como OTCA, Mercosul e Comunidade Andina, ampliando integração, estabilidade e sustentabilidade na região.





