Da redação
O governo brasileiro decidiu rebaixar o nível das relações diplomáticas com a Argentina após declarações do presidente argentino, Javier Milei, contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e contra o Supremo Tribunal Federal. O Ministério das Relações Exteriores determinou que o embaixador brasileiro em Buenos Aires, Julio Bitelli, não retorne à Argentina enquanto persistirem os insultos de Milei, considerados “um desrespeito inaceitável” em relações bilaterais.
De acordo com o Itamaraty, não há precedentes de um presidente estrangeiro que, em território nacional, tenha feito agressões e ofensas ao Chefe de Estado, às instituições democráticas e ao povo brasileiro. Na convenção do Partido Liberal, na qual foi anunciado Flávio Bolsonaro como candidato à presidência, Milei chamou Lula de “presidiário” e atacou o ministro Alexandre de Moraes, relator do julgamento que condenou Jair Bolsonaro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, além de reiterar insultos nos dias seguintes.
A representação diplomática do Brasil na Argentina passa a ser exercida por um Encarregado de Negócios, medida que indica o rebaixamento. Conforme o Ministério das Relações Exteriores da Argentina, o governo argentino lamentou a decisão brasileira, afirmando que se trata de uma medida “unilateral” motivada por “questões puramente ideológicas” e reforçou que “nunca respondemos a uma diferença política com uma medida institucional”.
A imprensa argentina repercutiu a decisão, com o jornal Clarín classificando a medida brasileira como “dura sanção diplomática” e o Infobae apontando uma “crise sem precedentes”, destacando preocupação do empresariado local. O Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina, com 12,6% das exportações argentinas, superando China e Estados Unidos, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Censos da Argentina.





