Da redação
Os Estados Unidos impuseram tarifas de 50% sobre produtos brasileiros de exportação, com o governo Luiz Inácio Lula da Silva tentando apresentar respostas aos motivos formalmente listados pelo governo Donald Trump. Nova etapa das tarifas poderá entrar em vigor caso não haja entendimento entre os países. As negociações, lideradas pelo ministro Marcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços) e por Mauro Vieira (Relações Exteriores), concentram-se em argumentos considerados ideológicos pelos negociadores brasileiros.
De acordo com Rosa, o Brasil adota regimes jurídicos e institucionais para eliminar o trabalho forçado e rebate as alegações americanas sobre combate insuficiente ao desmatamento. O governo brasileiro também contesta as reclamações sobre decisões judiciais envolvendo plataformas digitais, política de tarifas do etanol e supostos prejuízos a empresas americanas decorrentes do Pix e do etanol. Rosa afirma que o país não aceita condicionar as tratativas à redução de tarifas sobre o etanol norte-americano.
Segundo interlocutores do governo, parte das medidas iniciais justificadas por alegações de perseguição do Judiciário brasileiro ao ex-presidente Jair Bolsonaro, condenado por golpe de Estado, já foram revertidas. À época, apoiadores do ex-presidente celebraram as sanções e esperavam que as decisões do Supremo Tribunal Federal fossem paralisadas pela pressão americana.
O governo busca evitar que as negociações sejam influenciadas por novas tensões, especialmente em um cenário político marcado pela proximidade das eleições presidenciais polarizadas entre Lula, candidato à reeleição, e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Rosa avalia que as ações de Flávio, que tem boa relação com integrantes do governo Trump, dificultam o avanço das tratativas.




