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Brasil vê no plano de Trump para minerais raros o mesmo ‘vício’ do Conselho da Paz


Da redação

O governo brasileiro identificou um problema comum nas duas propostas de cooperação apresentadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. As iniciativas, que tratam da criação de uma governança para exploração de minerais críticos e da formação de um Conselho da Paz para reconstrução da Faixa de Gaza, não contemplam uma abordagem multilateral. A avaliação é de autoridades brasileiras que acompanham o tema.

O convite para o Brasil integrar uma aliança internacional, feita na quarta-feira, 4, foi recebido como uma tentativa de reserva de mercado favorável aos interesses americanos. O objetivo seria barrar o acesso de países como a China a minerais estratégicos como lítio, grafita, cobre, níquel e terras-raras. Pela proposta, o Brasil participaria de uma coalizão para o tratamento desses insumos.

De acordo com membros do governo Lula, a tendência é que o Brasil não se alinhe aos Estados Unidos nesse grupo, priorizando discussões em instâncias multilaterais. O tema será abordado, inclusive, durante a viagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Índia no final deste mês, em conversas com outros líderes mundiais.

Lula defende que temas de grande relevância sejam tratados em foros multilaterais. Essa posição foi reiterada em resposta à proposta de Trump para criação do Conselho da Paz em Gaza, ocasião na qual o presidente brasileiro criticou a ausência da Autoridade Palestina entre os convidados e sugeriu que o conselho limite seu escopo à Guerra em Gaza, evitando tornar-se um organismo alternativo ao Conselho de Segurança da ONU.

Os dois assuntos também deverão ser tema do encontro entre Lula e Trump, previsto para a visita do presidente brasileiro a Washington no início de março, segundo autoridades brasileiras.