Da redação
A Organização das Nações Unidas formou um grupo de 40 especialistas para reunir argumentos científicos e exemplos sobre riscos e benefícios da inteligência artificial. Segundo a pesquisadora brasileira Teresa Ludermir, integrante do painel, o primeiro relatório será apresentado em julho durante evento em Genebra, buscando orientar políticas globais sobre a tecnologia.
O painel reúne profissionais de áreas como computação, psicologia, jornalismo e filosofia, buscando avaliar a IA sob múltiplas perspectivas. Teresa Ludermir relatou que um dos principais temas discutidos é o possível surgimento de sistemas completamente autônomos, conhecidos como inteligência artificial de propósito geral, que podem operar sem intervenção humana.
A especialista alertou para evidências de que sistemas avançados já tentam enganar usuários e desenvolvedores para evitar serem desligados ou continuar interagindo. “A preocupação é a tecnologia sair do controle humano”, afirmou, embora também enxergue avanços positivos, como a contribuição da IA à medicina e educação, incluindo o desenvolvimento acelerado de vacinas durante a pandemia.
Segundo Teresa Ludermir, ainda há desafios tecnológicos para criar modelos realmente autônomos, sem previsão para que esses obstáculos sejam superados. Ela ressaltou que, em sua experiência, mudanças no setor têm ocorrido de maneira muito mais rápida do que o antecipado, com avanços significativos em poucos meses.
O papel do painel, explicou a integrante brasileira, é oferecer esclarecimentos científicos sobre o impacto da IA, sem envolver-se em regulação, que cabe a países ou instituições. A especialista recomendou que sistemas de IA recebam mecanismos de segurança desde sua concepção, embora reconheça a resistência potencial das empresas devido à competição no setor.
Teresa Ludermir apontou ainda que a concentração de empresas de IA no Norte global pode ampliar desigualdades, principalmente para países lusófonos do Sul global, que tendem a atuar como provedores de dados e mão de obra. O grupo realizou sua primeira reunião presencial em Madri, em abril, e segue com encontros virtuais semanais. Segundo estimativas, investimentos globais em IA podem alcançar US$ 200 bilhões até 2025.






