Da redação
A renúncia de Santiago Peña à Presidência do Paraguai levou o Palácio do Planalto a monitorar a crise pela Embaixada do Brasil em Assunção. Peña deixou o cargo após perder apoio de integrantes do Partido Colorado e enfrentar um processo de impeachment, desencadeado pelo colapso do Ueno Bank.
O governo brasileiro teme que a turbulência provoque instabilidade social, protestos e novos conflitos. Interlocutores do governo veem a renúncia como revés para a direita latino-americana e aliados do presidente dos Estados Unidos Donald Trump, mas ponderam que a permanência de governos conservadores impede falar em recuo definitivo do campo na região.
O Banco Central do Paraguai interveio no Ueno Bank após o índice de solvência cair para menos da metade do mínimo exigido. A medida deixou correntistas temporariamente sem acesso aos recursos. Controlado pelo Grupo Vázquez, o banco dizia ter cerca de 3 milhões de clientes.
Peña manteve participação acionária na holding ligada ao banco até março de 2025, e a instituição recebeu recursos públicos, inclusive depósitos de órgãos estatais. A oposição acusou o governo de conflito de interesses e falhas de fiscalização. Carlos Carvallo, então presidente do Banco Central paraguaio, deixou o cargo após a intervenção.
Pedro Alliana, vice-presidente, é o sucessor constitucional, mas o Congresso precisa analisar a renúncia. A Câmara aprovou o prosseguimento do impeachment e enviou a acusação ao Senado, com possíveis efeitos jurídicos para Peña e sua eventual condição de senador vitalício. Brasília prioriza o combate ao crime organizado, o comércio e a diplomacia.




