Por Alex Blau Blau
Instituto afirma que imunizados há mais de 21 dias permanecem protegidos enquanto autoridades aprofundam investigação sobre eventos adversos raros
O Instituto Butantan voltou a defender a segurança e a eficácia da vacina brasileira contra a dengue após a decisão das autoridades de saúde de suspender temporariamente a aplicação do imunizante em todo o país. A medida foi adotada de forma preventiva enquanto especialistas analisam registros de eventos adversos graves identificados durante o monitoramento dos vacinados.
De acordo com o diretor do instituto, Esper Kallás, as pessoas que receberam a vacina há mais de 21 dias podem permanecer tranquilas quanto à proteção oferecida pelo imunizante. Segundo ele, após esse período o organismo já desenvolveu a resposta imunológica prevista nos estudos realizados antes da aprovação da vacina.
O especialista destacou que os dados científicos continuam demonstrando elevada capacidade de proteção contra formas graves da doença, reforçando a importância da vacinação como uma das principais ferramentas de combate à dengue no Brasil.
A suspensão temporária foi anunciada após a identificação de 42 registros classificados como graves entre aproximadamente 500 mil pessoas imunizadas. Entre esses casos, autoridades investigam a possível relação de duas mortes e de outros episódios que apresentaram sintomas semelhantes aos da dengue.
Apesar da interrupção preventiva, o Ministério da Saúde e o Instituto Butantan ressaltam que ainda não existe comprovação de que os casos tenham sido causados pela vacina. As investigações continuam sendo conduzidas por equipes técnicas especializadas, que buscam esclarecer todas as circunstâncias envolvendo os registros.
As autoridades orientam que pessoas vacinadas há menos de 21 dias observem atentamente qualquer alteração no estado de saúde e procurem atendimento médico caso apresentem sintomas como febre, dores abdominais intensas, vômitos persistentes, sangramentos, tonturas ou sinais de agravamento do quadro clínico.
O processo de farmacovigilância, responsável pelo acompanhamento da segurança de vacinas e medicamentos após sua liberação para uso na população, foi apontado pelos especialistas como fundamental para identificar eventos raros que não aparecem durante as fases de testes clínicos.
Mesmo diante da suspensão temporária, representantes do Ministério da Saúde e do Instituto Butantan reforçam que os estudos realizados até o momento continuam demonstrando benefícios relevantes da vacina para a saúde pública. A expectativa é que as análises em andamento permitam esclarecer os casos registrados e definir os próximos passos em relação à continuidade da estratégia de imunização contra a dengue no país.
Enquanto a investigação prossegue, o Butantan afirma que seguirá colaborando com os órgãos reguladores e fornecendo todas as informações necessárias para garantir segurança, transparência e rigor científico no acompanhamento do imunizante.





