Início Brasil Câmara aprova projeto que proíbe aproximação de agressores com aval da vítima

Câmara aprova projeto que proíbe aproximação de agressores com aval da vítima

Da redação do Conectado ao Poder

Descumprimento da medida protetiva será considerado crime, independentemente do local da violação.

A Câmara dos Deputados aprovou, em 8 de julho de 2025, um projeto de lei que torna crime a aproximação do agressor à vítima, mesmo com o consentimento dela, quando houver medida protetiva em vigor. A aprovação ocorreu com 302 votos a favor e 99 contra. O texto agora segue para análise do Senado.

O projeto visa garantir que a vítima de violência doméstica não seja forçada a se aproximar do agressor, mesmo que este argumento a convença. “Muitas mulheres são coagidas a abrir exceções nas medidas protetivas, colocando em risco sua segurança”, afirma a deputada Sâmia Bonfim, uma das defensoras do projeto. Ela salienta que a violência afeta não só as mulheres, mas também seus filhos, reforçando a necessidade de medidas mais rigorosas.

A relatora do projeto, deputada Rogéria Santos, destacou que a nova proposta reforça o compromisso do Estado no combate à violência contra a mulher. “Reconhecer como crime a violação da medida protetiva protege a mulher de sua vulnerabilidade, que a torna uma presa fácil à violência”, destacou.

Desde 2018, o descumprimento de medida protetiva é considerado crime, com penas que variam de dois a cinco anos, e a possibilidade de prisão preventiva caso haja risco à integridade da vítima. Apesar disso, especialistas expressam preocupação com o projeto, alertando que pode ferir a autonomia da vítima de decidir sobre sua própria vida.

A delegada Cyntia Carvalho e Silva propõe que a abordagem da legislação não deve se basear na incapacidade da vítima. “Generalizar a experiência das mulheres desconsidera suas particularidades e pode afastá-las dos sistemas de proteção”, opinou.

Essa discussão sobre o projeto destacou a complexidade do tema da violência doméstica no Brasil, onde a Lei Maria da Penha já é um marco na proteção das vítimas, articulando medidas de repressão e prevenção. Entretanto, alterações na legislação têm gerado debates sobre a eficácia e a natureza das abordagens jurídicas adotadas.