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Casa Rosada reabre sala de imprensa após 11 dias de bloqueio a jornalistas


Da redação

A sala de imprensa da Casa Rosada foi reaberta nesta segunda-feira (4), após 11 dias de proibição de entrada de jornalistas pelo governo Javier Milei. A restrição, considerada inédita na história recente da Argentina, ocorreu em Buenos Aires sob a justificativa de reforço à segurança.

No retorno, jornalistas relataram retenção de credenciais, presença de escolta de segurança e limitação de circulação em áreas antes acessíveis, especialmente nos setores onde ocorriam captações de informações de bastidores. O repórter Fabian Waldman afirmou que “os jornalistas que circulam pelos corredores do Balcarce 50 há anos não poderão mais fazê-lo”, dificultando o acompanhamento de reuniões de autoridades.

A Associação de Entidades Jornalísticas da Argentina (Adepa) informou que pelo menos dois profissionais continuam barrados: Nacho Salerno, que fez imagens com óculos inteligentes dentro da Casa Rosada, e Luciana Geuna, apresentadora que exibiu o material na emissora Todo Noticias, episódio que teria motivado o bloqueio segundo a entidade. Para a organização, a presença da imprensa é “direito de seus leitores e da cidadania”.

O chefe de gabinete Manuel Adorni afirmou que as regras integram um “novo protocolo” para “cumprir a norma, não censurar a liberdade de expressão”. Ele declarou ainda que “todos os indivíduos credenciados e com documentação em ordem não devem ter problemas para entrar” e negou que a restrição tenha caracterizado violação à liberdade de expressão.

Adorni classificou a gravação interna como “grave violação da segurança” e a Casa Militar apresentou queixa contra Salerno e Geuna. O presidente Javier Milei compartilhou uma montagem de Geuna algemada e vestindo uniforme de presidiária, além de publicar acusações contra jornalistas em redes sociais, sem apresentar provas.

Após o caso, Repórteres Sem Fronteiras apontou que a Argentina caiu 11 posições no ranking de liberdade de imprensa, ficando em 98º lugar entre 180 países, o pior resultado desde 2002. Mesmo com restrições, jornalistas questionaram Adorni sobre acusações de enriquecimento ilícito e viagens de luxo, às quais respondeu desconhecer.