Por Alex Blau Blau
Crédito caro, endividamento das famílias e mudanças no consumo aumentam dificuldades enfrentadas pelas grandes redes varejistas
O grupo Casas Bahia entrou com pedido de recuperação judicial nesta segunda feira, 17 de agosto, em São Paulo. A companhia informou uma dívida de R$ 17,3 bilhões e busca reorganizar suas obrigações financeiras.
A situação ocorre em um momento de pressão sobre o comércio brasileiro. A Marabraz também recorreu recentemente à recuperação judicial, com aproximadamente R$ 140 milhões em dívidas. A Americanas permanece em processo semelhante desde 2023.
Um dos fatores que atingem o setor é o elevado endividamento dos consumidores. Em julho, 82% das famílias brasileiras estavam endividadas, completando o sexto mês consecutivo de crescimento do indicador.
Com uma parcela maior da renda comprometida, produtos como móveis, eletrodomésticos e eletrônicos acabam perdendo espaço no orçamento familiar, principalmente por dependerem frequentemente de compras parceladas.
Outro obstáculo está no custo do crédito. Com a taxa básica de juros em 14% ao ano, financiamentos ficam mais caros tanto para consumidores quanto para empresas.
As mudanças nos hábitos de compra também aumentaram a concorrência, especialmente com o crescimento das vendas pela internet e a disputa por preços e prazos de entrega.
Apesar das dificuldades, o comércio varejista apresentou crescimento de 0,5% em junho, após avanço de 0,1% em maio. No acumulado do ano, a expansão chegou a 1,8%.
Agora, a Casas Bahia pretende utilizar o processo judicial para reorganizar suas dívidas e buscar condições para continuar suas atividades diante de um cenário considerado desafiador para o varejo nacional.





