Da redação
A América Latina e o Caribe registraram eventos climáticos extremos em 2025, conforme relatório da Organização Meteorológica Mundial. O documento, apresentado em Brasília por José Marengo, coordenador do Cemaden, destaca o aumento de ondas de calor, enchentes, secas e o acelerado derretimento das geleiras andinas em toda a região.
Pela primeira vez, o lançamento regional do documento ocorreu no Brasil, durante evento no Ministério da Agricultura e Pecuária. A sexta edição do relatório foi coordenada por Marengo em cooperação com serviços meteorológicos de países latino-americanos e caribenhos, reunindo dados e análises de clima da região.
De acordo com o levantamento, 2025 esteve entre os anos mais quentes já registrados, com temperaturas até 3°C acima da média histórica em diversas áreas. O ritmo de aquecimento observado entre 1991 e 2025 é o mais intenso desde o início das medições, em 1900, segundo dados consolidados no documento.
“Esses dados não são projeções distantes. Eles mostram uma realidade climática que já afeta diretamente a economia, os ecossistemas e a vida das pessoas”, afirmou José Marengo durante a apresentação do relatório. Da série de extremos identificados, junho de 2025 tornou-se o mês mais chuvoso da história do México, enquanto a seca atingiu simultaneamente até 85% do território.
O relatório destaca ainda o impacto das enchentes no Peru e no Equador, com mais de 110 mil pessoas afetadas, além do derretimento das geleiras ameaçando o abastecimento de água de cerca de 90 milhões de habitantes. Entre os eventos extremos relatados, está o furacão Melissa, que provocou 45 mortes e prejuízo de US$ 8,8 bilhões na Jamaica.
O documento ressalta a atuação do Cemaden como referência regional em monitoramento meteorológico, operando 24 horas e acompanhando impactos em todos os 5.571 municípios brasileiros. Dados desenvolvidos pelo centro subsidiam ações governamentais de prevenção, além de monitorar incêndios, secas, impactos agrícolas e vulnerabilidades sociais em áreas de risco.






