Da redação do Conectado ao Poder
Isolamento político, descumprimento de medidas e reação fraca nas ruas reforçam pressão sobre o Supremo para avaliar detenção preventiva do ex-presidente

A situação jurídica do ex-presidente Jair Bolsonaro se agrava no Supremo Tribunal Federal (STF). Embora ainda não haja uma decisão formal, cresce nos bastidores a possibilidade de uma prisão preventiva, cenário impulsionado pelo descumprimento de medidas cautelares e pela avaliação de que há pouco espaço para recuo entre os ministros. A recente instalação de tornozeleira eletrônica, determinada por Alexandre de Moraes, já foi um sinal claro da escalada das sanções contra o ex-chefe do Executivo.
A divergência do ministro Luiz Fux em relação às decisões cautelares de Moraes expôs as dificuldades de se obter unanimidade nas ações contra Bolsonaro, mas não muda o cenário prático. No que é considerado essencial, como a aceitação da denúncia contra os envolvidos na trama golpista — Fux votou alinhado com Moraes. O voto divergente, porém, incomodou parte do colegiado e fragilizou a imagem de coesão do STF, algo considerado importante diante das crescentes pressões externas ao tribunal.
Outro fator que pesa na balança do STF é a reação popular. Manifestações convocadas por apoiadores de Bolsonaro após a imposição da tornozeleira tiveram adesão abaixo da expectativa. Mesmo com mobilizações em diversas capitais e um protesto em Brasília no último domingo (20), os números ficaram aquém do esperado, o que reduz o impacto político das ruas sobre os ministros. Com isso, o STF ganha mais margem para agir sem receio de reação em massa.
A entrada do nome de Donald Trump no discurso político brasileiro, por parte dos aliados do ex-presidente, também elevou a tensão, mas não é vista como impeditivo para uma decisão mais dura por parte do Supremo. Segundo interlocutores do tribunal, o que realmente pode determinar os próximos passos é a percepção de que Bolsonaro violou medidas impostas pela Corte. Diante disso, o STF já considera, nos bastidores, que a prisão preventiva pode ser o próximo passo se houver novos elementos que indiquem afronta direta às decisões judiciais.




