Da redação
O governo do Chile, liderado pelo ultradireitista José Antonio Kast desde março, intensificou medidas contra imigrantes em situação irregular. Durante a campanha, Kast prometeu expulsar estrangeiros sem documentos, impondo uma contagem regressiva para a saída de cerca de 336 mil pessoas. Um mês após assumir, ele ordenou deportações e construiu muros e valas na fronteira norte, acompanhados de drones e reforço militar.
Essas ações têm provocado medo e insegurança entre os imigrantes, que relatam aumento da xenofobia e mudanças de hábito para evitar abordagens policiais. “Você anda na rua tentando ser invisível, com medo de ser julgado pelo sotaque ou pela aparência”, diz o venezuelano Roberto Delgado Gil, que administra uma consultoria para imigrantes no país.
Desde a posse de Kast, pelo menos 2.180 venezuelanos deixaram o Chile, segundo o serviço de imigração. O governo realizou o primeiro voo de deportação na quinta-feira (16), levando 40 estrangeiros para Bolívia, Colômbia e Equador. Do total, 15 foram expulsos por ordem judicial por crimes como roubo e tráfico de drogas; 25 respondiam a processos administrativos.
A ofensiva ocorre em um contexto de aumento expressivo da população imigrante, que saltou de 305 mil em 2010 para 1,3 milhão em 2018. O grupo mais numeroso atualmente é o de venezuelanos, que, em 2023, somavam 729 mil (38%). Um projeto para criminalizar a entrada irregular foi apresentado, e a regularização de 182 mil imigrantes iniciada por Gabriel Boric foi suspensa.
Especialistas, como o professor José Ragas, avaliam que as medidas são improvisadas e pouco eficazes. Segundo ele, a repressão tende a aumentar a informalidade sem resolver a presença dos imigrantes, que seguem vivendo em condições cada vez mais precárias.






