Da redação
Marte, ao lado da Lua, é um dos principais alvos da exploração humana, mas cientistas alertam para um possível risco: a contaminação por fungos. Um estudo recente identificou 27 cepas de fungos mesmo após rigorosa limpeza em salas da NASA utilizadas no programa Mars 2020. Entre elas, uma espécie demonstrou impressionante resistência ao ambiente marciano.
A pesquisa, liderada por Kasthuri Venkateswaran, microbiologista do Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, buscou identificar fungos conhecidos como conídios. As amostras coletadas foram submetidas a condições extremas que simulam Marte, incluindo radiação ultravioleta intensa, baixa pressão atmosférica, frio extremo, poeira planetária e radiação cósmica.
O estudo, publicado nesta segunda-feira (20/4) pela revista Applied and Environmental Microbiology, revelou que o Aspergillus calidoustus foi o único a sobreviver à radiação UV, ionizante e às condições atmosféricas de Marte. O fungo apenas não resistiu à exposição prolongada a altas doses de radiação em conjunto com frio extremo.
A descoberta chama a atenção para os desafios de proteção planetária. Apesar dos rígidos limites impostos — atualmente, espaçonaves não podem transportar mais de 300 esporos microbianos por metro quadrado para Marte —, os resultados mostram que alguns microrganismos podem sobreviver a medidas de descontaminação. O artigo 9 do Tratado do Espaço Exterior da ONU (1967) exige o controle de possíveis contaminações.
“Microrganismos podem ter uma resiliência extraordinária a estresses ambientais”, afirmou Venkateswaran. Ele ressalta que a presença desses fungos não representa, por ora, risco de contaminação, mas reforça a necessidade de aprimorar as estratégias da NASA na proteção contra ameaças biológicas em missões presentes e futuras.






