Início Celebridades Cientistas descobrem como “desligar” os neurônios que causam ansiedade no cérebro

Cientistas descobrem como “desligar” os neurônios que causam ansiedade no cérebro


Descoberta de neurônios da ansiedade pode revolucionar tratamentos. (Foto: Instagram)

Pesquisadores do Instituto de Neurociências de San Juan, na Espanha, descobriram um grupo específico de neurônios na amígdala cerebral — região essencial no processamento das emoções — que, ao se tornarem excessivamente excitáveis, desencadeiam comportamentos típicos de ansiedade. O estudo foi publicado em junho na revista iScience.

A pesquisa aponta que o gene GRIK4, responsável por produzir a proteína GluK4, altera o equilíbrio elétrico desses neurônios, levando o cérebro a um estado de alerta exagerado. Em testes com camundongos, os animais que apresentavam superexpressão desse gene evitavam luz, interagiam pouco socialmente e tinham desempenho inferior em testes de memória.

Os cientistas identificaram que a GluK4 aumentava a excitabilidade dos neurônios, intensificando os sinais elétricos na amígdala. Para confirmar a relação com os sintomas, eles diminuíram a expressão do gene GRIK4 em células da região centrolateral da amígdala basolateral, área-chave na avaliação de ameaças. O resultado foi a redução significativa dos comportamentos ansiosos.

Os pesquisadores concluíram que esses neurônios funcionam como um “interruptor emocional”, ativando sensações de medo e ansiedade mesmo na ausência de qualquer ameaça real. Isso reforça a ideia de que transtornos de ansiedade podem ter origem em alterações muito específicas dentro do cérebro, e não apenas em fatores externos.

Apesar de os camundongos apresentarem melhora no comportamento social e na exploração do ambiente, a memória de reconhecimento de objetos não foi totalmente restaurada. Isso sugere que essa função envolve outras áreas cerebrais além da amígdala.

O estudo também revelou que a superexpressão de GRIK4 afeta apenas certos neurônios excitatórios, o que explica por que intervenções direcionadas foram eficazes em controlar a ansiedade. O neurotransmissor glutamato, principal agente excitatório do cérebro, teve papel central nesse processo.

Do ponto de vista médico, a descoberta abre caminho para tratamentos mais precisos, com menos efeitos colaterais, ao focar em alvos neurais específicos. No entanto, os autores alertam que os testes foram feitos apenas em camundongos, e ainda não se sabe se os mesmos mecanismos ocorrem em humanos.



Fonte: PaiPee